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Hilllary e McCain recuperam fôlego

Hillary Clinton e John McCain ganharam as eleições primárias em New Hampshire e, na linguagem dos jogos de computador, ganharam novas vidas na corrida à Casa Branca

Ricardo Jorge Pinto

Na véspera da eleição primária de New Hampshire, Hillary Clinton era uma mulher nervosa. A derrota no "caucus" do Iowa, a semana passada, deixou-a numa posição desconfortável perante o entusiasmo da comitiva de Barack Obama, recuperado de maus resultados nas sondagens do Partido Democrata. Mas ontem, a candidata surpreendeu todas as sondagens e venceu.

No Partido Republicano, Mick Huckabee foi o mais votado em Iowa, mas ele próprio sabia que o doce sabor da vitória se derreteria nas neves do frio estado de New Hampshire. Há poucas semanas atrás, eram poucos os analistas que apostariam que John McCain teria a liderança deste emblemático estado da Nova Inglaterra. Por isso, quando se confirmaram as recentes sondagens e deixou para trás os adversários a uma confortável distância, McCain não resistiu a invocar os tempos em que Bill Clinton ganhou o epíteto de "come back kid", recuperando de más previsões nas primárias de 1992. "Eu já não tenho a idade para usar o adjectivo de "kid" em coisa nenhuma, mas a verdade é que estou mesmo de volta", afirmou o candidato republicano de 70 anos de idade.

Os regressos de Hillary e de McCain deixam agora tudo em aberto para as próximas etapas desta disputada eleição primária. Os analistas já não arriscam previsões para as votações no Nevada e na Carolina do Sul (que se aproximam no calendário eleitoral) e preferem esperar pela Super Terça-Feira, que no início de Fevereiro leva 26 estados a votos (incluindo os poderosos redutos de Nova Iorque e Califórnia).

No discurso de aceitação de vitória no Partido Democrata, Hillary Clinton agradeceu o apoio feminino que tem servido de forte base de apoio da sua candidatura e fez questão de salientar o incentivo da presença constante do seu marido Bill. De resto, o ex-presidente tem sido apontado como um dos principais responsáveis pela angariação de fundos que faz de Hillary a candidata com mais dinheiro nesta dispendiosa campanha eleitoral.

No Partido Republicano, a incógnita é agora o comportamento do candidato que também se aproxima de Hillary em termos de fundos para campanha: Rudy Giulianni. O ex-mayor de Nova Iorque tem sofrido sucessivos reveses na sua corrida, com escândalos financeiros e pessoais a prejudicar a sua imagem. Mas na sua comitiva há ainda quem acredite que não está tudo perdido. Mas se McCain conseguir ultrapassar os próximos obstáculos, poderá ser quem melhor se posiciona no partido. Isto porque os republicanos têm uma tradição de escolha rápida dos seus candidatos.