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Há paranóia pelos ares

Aeroportos americanos estão mais calmos e silenciosos do que é habitual. No entanto, a paranóia anda no ar.

Quando Catherine Mayo, passageira do voo 923 de Londres para Washington, começou na quarta-feira a comportar-se de forma estranha, foi dominada pela tripulação e algemada, o avião foi desviado para Boston, escoltado por dois jactos F15, os passageiros foram interrogados e a bagagem revistada. A notícia saiu para as agências de imprensa: Mayo estava armada e levava uma nota da Al-Qaeda.

Isso revelou-se falso. Mayo era uma terrorista improvável: ao fim de duas horas de voo começou a andar de um lado para o outro nervosamente, falando sozinha, dizendo aos passageiros que sofria de claustrofobia ou que era uma repórter secreta para testar a segurança do voo. Foi finalmente dominada, depois de gritar com os assistentes de bordo e de urinar no corredor. «Ela tem problemas mentais muito graves», admitiu o seu advogado. «Julgo que passou um mau bocado no avião e toda a gente anda um pouco paranóica», disse o filho.

E tem razão. Há paranóia no ar. Aconteceu novamente na quinta-feira. Um aeroporto remoto na Virgínia Ocidental foi evacuado depois de duas garrafas de líquido encontradas na bagagem de mão de uma mulher terem, supostamente, acusado positivo nos testes para explosivos. A mulher era de ascendência paquistanesa, o que contribuiu para o susto. Testes subsequentes revelaram-se negativos e a mulher nem sequer foi acusada.

Houve falsos alarmes semelhantes no porto de Seattle e no Michigan, onde três americanos palestinianos foram presos como suspeitos de terrorismo por comprarem telemóveis e mais tarde libertados.

O efeito deste novo clima de medo na indústria de viagens não é ainda evidente. Terry Trippler, autor de «The Airline Rules Guide», profetiza que «isto vai passar. Como sempre. Nós amadurecemos com o público que viaja e aceitamos isto como sendo agora a normalidade». Os agentes de viagem dizem que têm muito poucos cancelamentos de executivos de empresas. As próprias companhias aéreas afirmam que poucos clientes estão a pedir cancelamentos e os preços das suas acções desceram menos de dois por cento.

As visitas do EXPRESSO a cinco aeroportos americanos revelou que estavam mais calmos e silenciosos do que o normal, com filas mais curtas nos controlos de segurança, possivelmente porque os viajantes estavam atentos aos avisos para se apresentarem no «check-in» com três horas de antecedência. A maioria parecia aceitar este incómodo extra com resignação e poucas queixas. «Já não sei se hei-de acreditar nestes avisos», disse David Rozenholc, um advogado em trânsito de São Francisco para Nova Iorque. Quarenta minutos depois de ter aterrado ainda estava à espera da bagagem, furioso pelo atraso. Não obstante, disse que «prefiro estar incomodado mas vivo do que confortável e morto».