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Atualidade / Arquivo

Guantanamo não vai fechar

A polémica prisão por onde já passaram centenas de alegados terroristas não vai encerrar portas. Pelo menos até 2009.

George W. Bush, já manifestou a vontade de ver o campo de detenção de Guantanamo deixar de existir, mas essa é uma realidade que, tudo indica, não irá acontecer durante o seu mandato.

Tony Snow, porta-voz da Casa Branca, corrobora exactamente isso. “É muito pouco provável que se consiga resolver todos os casos, entre hoje e o fim da presidência de George Bush”, confirmou.

Snow referiu ainda que a eventual transferência de detidos para outras prisões também irá demorar algum tempo, “estamos a dar o nosso melhor para transferir os presos de Guantanamo, ou para os seus países de origem ou para outras nações onde também sejam procurados por comportamentos criminosos”.

Apesar das boas intenções americanas que exigem um tratamento digno dos presos, por parte das nações para onde serão enviados, o porta-voz deixa sair um lamento, “são muito poucos os países que querem receber estas pessoas”.

O governo americano já mostrou vontade em julgar pelo menos 80 dos 385 presos estrangeiros que estão neste momento encarcerados em Guantanamo.

Desígnio nacional

Outro dos interessados no encerramento da mais polémica das prisões americanas é o recém-nomeado secretário de defesa, Robert Gates. Desde que assumiu funções no final do ano passado que essa é uma das suas prioridades, vontade entretanto expressa a Alberto Gonzales, o procurador-geral.

Gonzalez contudo não se tornou um aliado seu, repudiando o fecho da prisão e o consequente envio dos detidos para prisões localizadas em território americano.

A secretária de estado americana, Condolezza Rice, entretanto colocou alguma água na fervura e garantiu que “todos queremos que Guantanamo seja encerrada”, embora não tenha garantido que isso possa a acontecer antes do mandato de Bush terminar.

“O problema é existir um elevado número de detidos, que em alguns casos não podem continuar presos, não podem ser julgados noutros locais e são demasiado perigosos para serem libertados. Mas esta é uma situação com vamos ter de lidar dentro de algum tempo”, disse Rice e lembrou que as ordens presidenciais são para cumprir.

“O presidente foi muito claro. Ele quer encerrá-la, nós todos queremos e estamos a trabalhar para que isso venha a ser realidade”, referiu.

Renda de 2000 dólares

A Baia de Guantanamo com cerca de 111,9 km2 de área, fica localizada no extremo sudeste da ilha de Cuba e foi concedida aos Estados Unidos como base naval, no já longínquo ano de 1903.

O acordo entre Cuba e os Estados Unidos previa o pagamento anual de 2000 dólares. Fidel Castro já tentou por várias vezes desfazer o acordo, sempre sem sucesso.

Desde então  o revolucionário líder Cubano decidiu passar a não usar o dinheiro pago pelos americanos, que se mantém nos 2000 dólares há mais de um século.

Depois de ter estado quase inactiva desde 1995 a base militar conheceu um novo fôlego após o 11 de Setembro de 2001. Desde então são várias as centenas de detidos que têm chegado à ilha, por alegadamente estarem ligados a movimentos extremistas islâmicos, que atentem ou tenham atentado contra os Estados Unidos.

A base é ainda um foco de discórdia por parte da opinião pública mundial. Não encontrando amparo em nenhuma convenção internacional e com denúncias constantes de tortura, violações e assassinatos, Guantanamo é uma prisão militar que nunca foi inspeccionada pela ONU nem tão pouco recebeu qualquer elemento do Crescente Vermelho (congénere islâmico da Cruz Vermelha). Todas as tentativas têm sido sistematicamente inviabilizadas pelo governo norte-americano.

Não sendo, obviamente, a única prisão militar do mundo onde as inspecções da ONU nunca entraram, Guantanamo ou GITMO, como é tratada pelos militares americanos, é somente a mais mediática, com todas as consequências que isso arrasta. A administração Bush esforça-se agora para acabar com isso.