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Greve provoca atrasos de três horas na Portela

Foi convocada para hoje e amanhã uma paralisação geral dos serviços de assistência aeroportuária. Entre as reivindicações contam-se a revisão salarial e a contestação do horário de trabalho. Para já os voos estão a sair com horas de atraso e, nalguns casos, sem bagagem.

No dia em que se espera um recorde do tráfego aéreo no aeroporto da Portela a greve convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Handling dos Aeroportos (STHA) - responsáveis por todo o serviço de apoio dado em terra ao passageiros -, está a ser um verdadeiro pesadelo para quem chega ou sai de Lisboa pelo ar. Embora a paralisação seja nacional é em Lisboa que o caos irá ser maior, com a adesão dos trabalhadores a rondar os 85 por cento.

A medida reivindicativa começou hoje à meia-noite e terminará à mesma hora de domingo e, como é habitual sempre que uma greve é convocada, está a ter duas leituras completamente distintas.

Cancelamento de voos é uma possibilidade

Segundo André Teives, dirigente do STHA, a paralisação dos trabalhadores está a gerar "filas intermináveis", especialmente na zona de embarque, pois segundo o sindicalista a "Groundforce" - empresa responsável por 80 por cento do handling nacional - teve a procupação de tirar os passageiros da zona de check-in e passá-los para um local onde a comunicação social não pudesse ir, dando assim à opinião pública a imagem de uma greve fracassada.

Teives reforçou que esta greve está a ter um efeito “bola de neve” e relata um cenário caótico: "Logo de manhã os aviões começaram a sair com atrasos de uma hora ou uma hora e meia. Agora vão já em duas e três horas de atraso. As filas são intermináveis, as pessoas mal se mexem, há aviões a sair sem bagagem. É o caos instalado".

Uma greve duas visões

O dirigente sublinhou ainda que poderá haver cancelamentos de voos, especialmente no domingo.  No resto dos aeroportos do país o porta-voz do sindicato não pôde avançar grandes pormenores, mas confirmou que no Porto Santo estão “apenas assegurados os serviços mínimos” e em Faro a adesão está a ser de 60 por cento, o que para um aeroporto sazonal “com grandes picos” no mês de Agosto, poderá também levar a uma situação de caos.

No aeroporto Sá Carneiro os responsáveis sindicais alegam que aparentemente esteja tudo normal, já houve três aviões a descolar sem bagagens, situação que deverá tornar-se mais problemática ao longo da tarde. Contudo, os muitos trabalhadores a contrato estão a assegurar grande parte dos serviços de handling e os passageiros passam pelo aeroporto da cidade Invicta como se não houvesse qualquer greve.

Na Madeira, segundo António Matos, porta-voz da “Groundforce”, a greve está a fazer pouca mossa: "Até às 08:30 os primeiros nove voos a saírem a partir da Madeira foram realizados, com alguns pequenos atrasos normais para época e envolveram 1.366 passageiros".

O mesmo representante desvalorizou os comentários do STHA e sublinhou não haver qualquer cenário de filas ou atrasos nos voos em Lisboa: “Havia muita gente apenas quando os balcões de check-in abriram. As pessoas resolveram antecipar a vinda porque essa recomendação foi feita. Mas o cenário de filas não existe".

"Groundforce" desvaloriza queixas dos trabalhadores

Quanto às reivindicações do STHA – que visam uma revisão salarial, a contestação de horários de trabalho ilegais e o recurso frequente da “Groundforce” a empresas de trabalho temporário na contratação de trabalhadores – António Matos apontou-as como “desproporcionadas” e referiu que “a questão salarial tem um calendário largo para ser resolvido”, quanto à contratação temporária de trabalhadores justifica a medida pela “sazonalidade das operações” de assistência nos aeroportos portugueses.

Sobre os horários de trabalho, o porta-voz da "Groundforce" limitou-se a dizer que a empresa aguarda uma decisão da Inspecção do Trabalho sobre a queixa apresentada pelo STHA.