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Governadora Civil de Setúbal pede rapidez às seguradoras

Obras de reconstrução do prédio afectado por uma explosão de gás em Novembro do ano passado têm demorado e geram descontentamento.

A Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, pediu hoje às companhias de seguros que viabilizem rapidamente a reconstrução do prédio de Setúbal danificado por uma explosão de gás a 22 de Novembro do ano passado.

"Há momentos em que os clientes pagam; há outros momentos em que tem de ser quem já recebeu a fazer rapidamente o retorno. É um pedido que eu faço às seguradoras: despachem-se, porque já não dá para esperar mais tempo. É muita gente fora de casa e a solução está agora nas mãos das seguradoras", disse Eurídice Pereira.

"Chegou o momento de sermos retribuídos por aquilo que pagámos ao longo do tempo. Estou certa de que as seguradoras terão isto em mente, mas espero que estas declarações possam ajudar a acelerar este processo", acrescentou Eurídice Pereira, instada a comentar a demora nas obras de recuperação do imóvel.

As declarações de Eurídice Pereira reflectem o desconforto de cerca de 48 famílias residentes no prédio do Montebelo, que aguardam há meses pelo arranque das obras e pelo regresso às suas casas.

Segundo o porta-voz dos moradores, Luís Caturra, as seguradoras já aceitaram a proposta apresentada pela empresa Bell, do grupo Teixeira Duarte, para a recuperação das partes comuns e reforço estrutural do imóvel.

"Já foi aceite o orçamento proposto pela empresa Bell para a recuperação das partes comuns, reforço estrutural anti-sísmico do prédio, que apresentava algumas insuficiências, e remodelação do sistema anti-incêndio, que já não cumpria a legislação em vigor", disse à Lusa Luís Caturra.

O porta-voz dos moradores acrescentou que as seguradoras estão neste momento a avaliar os valores que têm de pagar em função da permilagem de cada condómino segurado, adiantando que não há nenhuma data definida para o arranque das obras.

Embora critiquem a demora excessiva das seguradoras no arranque das obras de reconstrução do imóvel, os moradores fazem questão de as desculpar por terem deixado de pagar o alojamento temporário de alguns deles.

"Quando se diz que alguns moradores deixaram de ter apoio financeiro das seguradoras (para alojamento temporário dos moradores afectados), isso decorre das posições contratuais e não de qualquer situação de má-fé das seguradoras", justificou Luís Caturra.

"São situações que decorrem do clausulado das condições gerais e particulares das apólices. As apólices, consoante os montantes e as companhias de seguros, contemplam um período de privação de três ou seis meses, ou 10 por cento do capital seguro", explicou o porta-voz dos moradores.

Luís Caturra fez ainda questão de referir que ao longo do processo houve "aspectos negativos", designadamente a "demora de todos os aspectos burocráticos que têm de ser ultrapassados, e que não se compadecem com a situação real do dia-a-dia das pessoas".

O porta-voz dos moradores reconheceu, no entanto, que também houve aspectos "muito positivos: colaboração das autoridades, disponibilidade dos peritos das entidades seguradoras".

"De qualquer das maneiras esses aspectos positivos não têm sido suficientes para dar celeridade ao processo como gostaríamos", frisou Luís Caturra.

Os moradores do prédio do Montebelo aguardam também com grande expectativa as conclusões da investigação da Polícia judiciária, que, no âmbito do processo, já terá ouvido mais de uma centena de pessoas e diversas entidades.