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Atualidade / Arquivo

Glaciar activo descoberto em Marte

Até hoje os únicos glaciares conhecidos no planeta vermelho tinham milhões de anos, o agora observado tem apenas alguns milhares. (Contém vídeo no fim do texto)

Pedro Chaveca

A recente descoberta de um glaciar com uma idade entre os 10 e os 100 mil anos na superfície de Marte está a deixar a comunidade científica entusiasmada, mas também dividida. Este registo inédito foi feito na região Deuteronilus Mensae, entre as montanhas do sul e as planícies do norte de Marte e relançou a busca por sinais de vida no vizinho encarnado da Terra.

As imagens que provam a existência de um glaciar jovem no planeta vermelho foram registadas pela Agência Espacial Europeia (ESA). Gerhard Neukum, cientista chefe da equipa da sonda espacial "ESA Mars Express", não esconde o entusiasmo: "se fosse uma imagem da Terra eu diria prontamente que se tratava de um glaciar".

Contudo as certezas só virão depois de confirmada "a assinatura espectral da água". Neukum, investigador na Universidade Livre de Berlim, garantiu ainda que nos próximos meses o local será sobrevoado para se procederam a medições, mas o cientista está convicto que a descoberta é realmente um glaciar activo: "No cume podemos ver pontas brancas, que só podem significar exposição de gelo".

"O glaciar está actualmente activo"

Estes acontecimentos geológicos são raríssimos, pois o gelo sempre que entra em contacto com o clima marciano sublima-se, passando directamente do estado sólido para o gasoso.

Neukum calcula que a água veio do subsolo de Marte há dez ou cem mil anos, o que segundo o cientista é a prova viva "que o glaciar está actualmente activo" e que se por enquanto esta é uma descoberta única o alemão acredita que "poderão haver mais".

A tese que começa a suscitar algumas dúvidas defende que depois da subida das águas deu-se o seu congelamento, o que terá levado à formação do glaciar agora descoberto.

Alguns colegas de Neukum já vieram a público refutar esta teoria, defendendo que, tal como na Terra, os glaciares no planeta vermelho formam-se graças à precipitação. O investigador berlinense contra-ataca sublinhando que a precipitação em Marte é demasiado fraca para a formação dos colossos de gelo.

Olimpus Mons tem glaciares com quatro milhões de anos

Agora, e segundo a equipa de Neuum o jovem glaciar "é o local privilegiado para procurar vestígios de vida em Marte". Se houve microrganismos que sobreviveram no subsolo do planeta, é provável que estes possam ter sido levados pela água até à superfície.

No gigantesco vulcão Olympus Mons, que se ergue a 29 km de altura, foram descobertos vários glaciares, contudo a idade de quatro milhões de anos atirou por terra qualquer possibilidade de encontrar vida encarcerada no gelo.