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Ginasticar a mente

É urgente que os alunos portugueses aprendam a gostar de Matemática. Os centros «Mathnasium» podem ser a solução.

Borracha, lápis e papel e uma boa dose de concentração são os elementos necessários para os alunos da «Mathnasium» resolverem os tão temidos exercícios matemáticos. Ainda a dar os primeiros passos no nosso país, o Ginásio da Matemática tem 320 alunos inscritos, do 1.º ao 9.º anos de escolaridade. A fórmula utilizada é simples mas eficaz: ensinar os jovens a usarem técnicas mentais de raciocínio matemático.

«No final do ano esperamos chegar aos 40 centros e ajudar 500 crianças portuguesas a ultrapassar as dificuldades que sentem a Matemática», explica João Paulo Tavares, responsável pela introdução do conceito em Portugal.

Durante o mês de Setembro, os centros «Mathnasium» espalhados de Norte a Sul do país, vão disponibilizar gratuitamente a todos os alunos do Ensino Básico, um diagnóstico individual de Matemática que irá permitir avaliar os conhecimentos da disciplina, antes da entrada no novo ano lectivo.

O diagnóstico nacional pode ajudar a identificar as lacunas dos estudantes do 1.º ao 3.º ciclo. Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), aplaude a criação destes centros, mas alerta para o facto de eles serem «uma gota no oceano».

Para o presidente da SPM, a desmotivação dos alunos deve-se à «falta de conhecimentos», que a escola tem obrigação de transmitir. No entanto, sublinha, o trabalho da Mathnasium é importante no «reforço e automatismo de rotinas» e como «complemento ao ensino».

Jovens mais motivados

Teresa e César, estudantes do 7.º e 8.º anos, não têm mãos a medir para resolver os enunciados propostos na sala de «aula». Entraram na «Mathnasium» do Parque das Nações, em Lisboa, há um mês e já se sentem mais motivados do que nunca.

«Aqui explicam-nos a Matemática de outra maneira, do mais simples ao mais complicado e fazemos muitos exercícios», conta César, aluno do Colégio Militar. Quando o pai lhe disse que o inscrevera na «Mathnasium», achou que ia ser uma «seca» mas depressa mudou de opinião. Conheceu novos colegas e agrada-lhe a atenção que os professores do centro lhe dispensam. No Colégio, não foi além do três a Matemática, mas está convicto de que irá subir a nota já no próximo ano lectivo.

Teresa também prevê bons desempenhos futuros e acredita que os treinos na «Mathnasium» a ajudarão a preparar-se «para os exames nacionais».

Na pequena sala de aula do Parque das Nações, as horas mais agitadas são aquelas em que os jogos de tabuleiro invadem as mesas, numa pausa para descontracção. Os dossiês com as fichas de cada aluno são arrumados, temporariamente, na estante e os minutos que se seguem são dedicados à diversão. Mas não só. «Porque a jogar eles também estimulam o raciocínio», explica João Tavares. Do Xadrez ao Mastermind, são muitos os jogos com operações matemáticas.

Pais e professores já se renderam a este novo projecto, que ensina a «brincar» com os números e a gostar da Matemática. Em pouco tempo, os alunos «Mathnasium» evidenciaram maiores índices de confiança, concentração e rapidez de cálculo.

O sonho de Larry Martinek

O projecto «Mathnasium» nasceu há três anos em Los Angeles, na Califórnia. O norte-americano Larry Martinek, professor e consultor de Matemática, criou um método inovador que desenvolveu durante as últimas três décadas. Testou-o no seu filho, tentando perceber de que forma ele chegava a cada resultado e qual o raciocínio que tinha usado. Os vários conjuntos de exercícios que desenvolveu fazem parte do «Programa Educacional da Mathnasium».

A «Mathnasium» entrou em Portugal em Outubro de 2005. Este ano está prevista a abertura de mais nove centros (são 31 actualmente) e, em 2007, o alargamento do programa aos alunos do 10.º ao 12.º anos. A mensalidade custa €120 e os estudantes podem frequentar os centros todos os dias da semana, excepto ao domingo.