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Fuzos em acção no Congo

Só a intervenção da EUFOR, fuzos portugueses incluídos, permitiu resgatar em segurança, um dos candidatos à presidência do Congo, Jean Pierre Bemba.

Militares portugueses, franceses e suecos tiveram de intervir na segunda-feira em Kinshasa para retirar em segurança embaixadores estrangeiros da residência do vice-presidente e candidato à presidência da República Democrática do Congo (RDC), Jean Pierre Bemba.

Os 14 embaixadores que integram o Comité Internacional de Acompanhamento da Transição (CIAT)  estavam reunidos com Bemba quando elementos da guarda presidencial afecta ao presidente em exercício, Joseph Kabila, cercaram o edifício que foi atacado com armas pesadas.

A companhia espanhola da Força Europeia (EUFOR-RDC) interpôs-se para fazer cessar o tiroteio, mas a evacuação dos diplomatas refugiados na cave da residência de Bemba ficou a cargo dos militares das forças especiais, estacionados no Gabão e que incluem 30 fuzileiros navais portugueses.

«Durante a noite recebemos reforços vindos do Gabão: dois helicópteros de ataque Gazelle, um helicóptero de transporte Cougar e uns 50 militares franceses, portugueses e suecos das forças especiais» explicou o tenente-coronel Fusalba, porta-voz da EUFOR. Duas centenas de soldados alemães deverão juntar-se em breve ao efectivo da força europeia que dispõe actualmente de cerca de 2.000 homens, dos quais só a metade na RDC.

Os confrontos armados em Kinshasa eclodiram logo depois da proclamação, no domingo, dos resultados da primeira volta das eleições presidenciais de 20 de Julho na RDC.

O presidente em exercício, Joseph Kabila, com cerca de 45% dos votos, e Jean-Pierre Bemba, com 20% do escrutínio, são os dois candidatos (de um total de 33) apurados  para disputar a segunda volta, em Outubro.

Líder do Movimento de Libertação do Congo (MLC) que tomou as armas em 1998 contra o governo liderado por Desiré Kabila, pai de Joseph (assassinado em 2001), Jean-Pierre Bemba dispõe de um exército de mais de 17.000 homens ainda não integrado nas forças armadas nacionais do Congo, em formação.

Kabila é, pelo menos teoricamente, o chefe das Forças Armadas e da polícia nacional e a perspectiva de um confronto armado em caso de não aceitação dos resultados por um dos candidatos foi o que levou as Nações Unidas a pedir o apoio militar da União Europeia para apoiar os 17.500 capacetes azuis da MONUC (missão da ONU no Congo), chefiada pelo norte-americano William Lacy Swing.

Hoje, os combates, que já causaram pelo menos cinco mortos entre militares congoleses alastraram a vários bairros de Kinshasa enquanto a comunidade internacional multiplica os apelos à calma e ao respeito do processo eleitoral.

Kabila apelou ao cessar-fogo e ao regresso da Guarda Presidencial aos quartéis. «Vamos tratar de obter o mesmo de Bemba» disse o porta-voz da MONUC, que considerou essencial a colaboração e o diálogo entre os dois vencedores da primeira volta para evitar um banho de sangue e preparar a segunda volta das eleições.

O Presidente angolano José Eduardo dos Santos apelou também ao respeito dos resultados eleitorais. Angola foi um dos países que interveio na guerra civil congolesa ao lado das forças afectas a Kabila, contra os rebeldes apoiados pelo Ruanda e Uganda.