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«Fui feliz»

Nem os três penáltis defendidos no Inglaterra-Portugal colocaram Ricardo entre os cinco melhores guarda-redes do torneio.

AS PALMAS ouviram-se pela primeira vez na sala de imprensa de Marienfeld, na tarde de domingo, quando Ricardo, acompanhado por Paulo Santos, se sentou para falar com os jornalistas menos de 24 horas depois da eliminação da Inglaterra e da passagem de Portugal às meias-finais do Mundial-2006 de futebol. Com as imagens da véspera ainda presentes na memória – nomeadamente os três penáltis parados pelo guardião português –, alguém começou a aplaudir e num ápice muitos dos presentes na sala juntaram-se ao «coro».

Com a humildade que o caracteriza, o sportinguista agradeceu os parabéns e desvalorizou o facto de o seu nome não integrar a lista dos cinco melhores guarda-redes do torneio. «Isso é uma novidade para mim mas o que mais me interessa é continuar a trabalhar para levar Portugal o mais longe possível», começou por dizer. Sem esquecer as «dicas» diárias do treinador Fernando Brassard, elogiou a importância quer de Paulo Santos quer de Quim no bom momento que atravessa. «Não é por ele estar aqui ao meu lado, mas tenho aprendido muito com o Paulo Santos. E não o conhecia bem. Temos trocado opiniões e, posso dizê-lo, ainda bem que ele integra este grupo», adiantou.

Convidado a comentar o teor da mensagem que mais o surpreendeu de todas aquelas que foram parar ao seu telemóvel, Ricardo deu uma resposta curiosa: «As únicas que li foram as das pessoas que me encheram o telemóvel de ‘sms’ quando passei por uma fase menos boa esta época. Todas as outras deitei-as fora», disse.

Em relação ao «trabalho» realizado na véspera, durante a decisão dos penáltis, considerou que «há sempre alguma felicidade mas também trabalho diário». «Vi nos olhos dos ingleses que para eles a baliza estava a encolher e tentei prolongar-lhes esse sofrimento», confessou, para logo acrescentar: «Por muitos vídeos que vejamos dos adversários, a verdade é que nunca sabemos para que lado eles vão atirar. Até nos nossos treinos diários isso acontece e eu conheço os meus colegas e eles conhecem-me. É o momento que conta e eu fui feliz», confessou.

Ricardo revelou ainda algumas das conversas que manteve com colegas e o treinador antes de avançar para a baliza. «O Figo disse-me que ia defender dois penáltis. Agarrei três e depois disse-lhe: ‘dois são para ti e outro para mim’», contou com um sorriso nos lábios. De Scolari, disse ter recebido indicações idênticas às do Euro-2004. «Tudo o que ele nos passa é para nos engrandecer», disse, comentando depois que «qualquer dia o ‘mister’ tem de usar babete, tantos são os elogios que recebe…».

Caso tivesse sido necessário marcar uma sexta penalidade aos ingleses, na lista de Scolari, logo após o de Cristiano Ronaldo, estava inscrito o nome do guarda-redes «leonino». «Estava à-vontade para o fazer, mas felizmente não foi necessário», ajuntou.

Quando um jornalista estrangeiro lhe perguntou o que precisa Portugal de fazer para derrotar a França, Ricardo respondeu de pronto: «Marcar mais um golo do que eles» . Elogiou a França, uma selecção que no interior do grupo de jogadores «sempre foi considerada como uma das melhores deste campeonato, apesar de tudo o que sobre ela foi dito e escrito», revelou. «A França não é só Zidane, é todo o colectivo», concluiu.

O dia foi de trabalho muito ligeiro, seguido de banhos e massagens, para todos os titulares frente aos ingleses, enquanto os restantes jogadores trabalharam normalmente. Como o jogo com a França está marcado para a próxima quarta-feira, o treino de amanhã, segunda-feira, será fechado aos jornalistas. E a sessão do dia seguinte já será feita em Munique, no estádio que é a jóia da coroa dos 12 recintos alemães envolvidos neste Mundial.