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Fraca adesão dos estudantes ao protesto no Porto

Desta vez, pouco mais de centena e meia de alunos aderiram ao protesto contra o fim dos exames nacionais, das aulas de substituição e outras medidas do Ministério de Educação.

Embora ruidosos, eram pouco mais de centana e meia os estudantes do ensino secundário que se concentraram esta manhã em frente à Câmara Municipal do Porto, na Avenida dos Aliados. Vieram de Ermesinde, Gaia, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Porto com o objectivo de contestar as políticas educativas do Ministério da Educação.

"O Carnaval já passou mas continua a palhaçada", lia-se numa faixa empunhada pelos alunos. Outros cartazes clamavam pelo fim dos exames, das aulas de substituição ou a favor da educação sexual. "Ai não, exames não", "Estudantes Unidos Jamais Serão Vencidos", "Educação Sexual, Direito Universal", foram as frases mais ouvidas num protesto que em Novembro já tinha conseguido reunir mais de mil alunos.

Os alunos protestaram pelo fim dos exames nacionais e das aulas de substituição, pela falta de materiais nas escolas, redução do número de horas curriculares, fim dos "numerus clausus" e diminuição do número de alunos por turma. "Os exames nacionais são uma barreira que impede a avaliação contínua, os numerus clausus, o acesso ao acesso ao ensino superior. As aulas de substituição são inúteis e devíamos ter um máximo de 20 alunos por turma para as rentabilizar", explica Ricardo Marques, um dos organizadores do protesto. "Nem todos puderam vir para aqui. Há alunos em frente às escolas, juntas de freguesia e outras câmaras municipais. Queremos um verdadeiro ensino público de qualidade", garante Ricardo Marques, numa tentativa de justificar a fraca adesão dos estudantes ao protesto..

"O que aprendemos dentro de uma sala a fazer jogos durante uma aula de substituição de Português, dada por um professor de Matemática? Preferia estar na biblioteca a fazer trabalhos ou a ver um DVD", confessa Fátima Guedes, aluna da Escola Secundária de Ermesinde. "Se não lutarmos pelos nossos direitos, ninguém o vai fazer por nós", acrescenta Artemisa Soares. "Viemos mostrar a cara e fazer ouvir a nossa voz. É que toda a gente reclama mas depois muitos não aparecem nos protestos", explica a aluna de 14 anos.

Fábio, 18 anos e a frequentar o 12º ano, garante que houve conselhos executivos que impediram a saída dos alunos e que outros retiraram cartazes e panfletos que apelavam à manifestação, mais uma vez tentando justificar a fraca adesão ao protesto.

Por volta das 11h30, os alunos começaram a desmobilizar. Alguns regressaram à escola, outros ficaram, pelo centro da cidade. "Dia de greve é para levar até ao fim", garante Fábio.

Em Novembro passado manifestaram-se mais de 20 mil estudantes por todo o país. No Porto, o protesto foi organizado 16 associações de estudantes e levou mais de um milhar de alunos às ruas da cidade, culminando numa reunião com a directora da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), Margarida Moreira, que prometeu averiguar como corriam as aulas de substituição. Desta vez, o protesto passou despercebido junto da DREN.