Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

"Fiscalidade vai ser uma questão central"

Portas quer falar do que interessa às pessoas, sem deixar o CDS refém de debates ideológicos. “Estou preparado para dirigir um partido com maior variedade ideológica”, garante.

Quando fala em novos temas está a pensar em quê? No ambiente e na cultura, que são a flor na lapela para quem quer ser moderno?
Porque é que acha que eu procurei ter, nas negociações do último governo em que participei, uma posição na área do ambiente, que aliás deixou lastro? E uma posição na área da cultura, e na área do turismo? Por outro lado, a agenda do CDS tem que ser essencialmente uma agenda centrada e competitiva junto do que neste momento preocupa as pessoas. Não é possível ser um partido de governo sem ter políticas públicas claríssimas na economia e no emprego, com certeza, no Estado providência, nomeadamente nas reformas da saúde e da segurança social, e com uma fortíssima componente no sistema educativo. Se lhe juntar a questão da segurança das pessoas, dos bens e das famílias, é essencialmente isto que mobiliza os cidadãos. Há um outro facto que eu acho que se está a tornar uma questão maior na sociedade portuguesa, e nisso este Governo tem uma fortíssima responsabilidade, que é o nível a que está a chegar a voragem fiscal do Estado. Fiscalidade vai ser crescentemente uma questão central na observação da oposição e na observação do Governo.

O CDS deve ir pelo caminho previsível na direita, que é a diminuição dos impostos e choques fiscais?
Isso eu nunca propus. Há uma coisa que eu não farei: propor redução de receitas sem correspondentemente provar que é possível corrigir despesa.

Mas vai propor a diminuição de impostos?
Neste momento está a acontecer um aumento de impostos sucessivo, e uma diminuição de garantias. Alguém tem que defender o contribuinte. Isso separa definitivamente uma pessoa de centro-direita de um socialista. Para mim, o essencial do trabalho de uma pessoa, de um trabalhador ou de um empresário, é dele, não é avocável pelo Estado. Há um limite para a voragem fiscal do Estado.

E acha que já se ultrapassou esse limite?
Em muitos casos, já.

O seu projecto de governo é dirigido a que eleitorado? Acabou este CDS das minorias e dos descamisados?
Para mim, o sentido da política dirige-se prioritariamente aos mais desfavorecidos, porque não tenho como matriz o igualitarismo. Mas acho que o CDS tem que se alargar, não é perder ninguém, é somar.

Assume a matriz conservadora do CDS?
No CDS há muita gente com qualidade e inúmeros dirigentes com identidade própria, isso significa que o partido vai ter mais pluralidade de opinião e vai ter que conviver com isso sem nenhum problema. Eu nunca entrei na discussão, que é interessante teoricamente, sobre os democratas-cristãos, os conservadores e os liberais, porque me parece evidente que o CDS para crescer tem que tê-los a todos e ir mais longe. Eu não deixarei o CDS cativo num mero debate ideológico.

Pelo que vejo isso até o enfada, porque o que quer é criar condições para chegar ao Governo. Eu lembro-me de José Sócrates igualmente enfadado com essas questões ideológicas…
Não, não, faça-me a justiça, nunca me enfadou o debate ideológico. Eu acho é que o CDS tem que ser focado. E estou preparado para dirigir um partido com maior variedade ideológica.