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Fim da discriminação étnica "pode dificultar adoções"

Opinião é da presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança, Dulce Rocha, que considera que a proibição de os casais pedirem crianças em função da sua etnia pode desincentivar a adoção

A presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Dulce Rocha, considera um entrave à adoção a proibição de os casais adotantes pedirem crianças em função da sua etnia.

Dulce Rocha falava à agência Lusa depois de o Supremo Tribunal de Justiça italiano ter proibido, recentemente, os casais adotantes, designadamente em processos de adoção internacional, de solicitarem menores especificando a sua raça ou a origem geográfica.

A decisão, noticiada pela imprensa italiana, surgiu em resposta à queixa de uma associação de defesa dos direitos das crianças contra um casal adotante que só queria adotar meninos brancos ou europeus. O tribunal considerou a atitude do casal discriminatória.

Confrontada com o caso e com a possibilidade de o modelo poder vir a ser seguido por Portugal, a presidente executiva do IAC sustentou que tal veredicto, "muito radical", constitui uma "limitação", ao ponto de "restringir as possibilidades de adoção".

Querer manter a adoção sigilosa

"Provavelmente, haveria casais que, com essas limitações, não se inscreveriam para a adoção", sobretudo "se querem uma criança que se possa confundir com a sua própria família e querem manter isso sigiloso", defende Dulce Rocha.

"Temos uma lei que incentiva ao sigilo da adoção e se depois pode haver sinais exteriores que demonstrem que a criança não é filha biológica haverá casais que não se inscrevem", acrescentou, sustentando que "é muito injusto" estar-se "a exigir que os casais adotem todo o tipo de crianças, independentemente das suas características".

Para Dulce Rocha, o facto de uma pessoa se recusar a adotar um negro, um cigano ou um chinês "não quer dizer que seja racista". "Pode solidarizar-se com pessoas de outras etnias e não querer um filho 'multicolor'", vincou.

Segundo a presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança, o "trabalho" passa por "incentivar a adoção", através de visitas aos centros de acolhimento, e "ajudar mais as famílias", em particular as mais pobres, a "não abandonarem as crianças", evitando que estas não fiquem "esquecidas nas instituições".

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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