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Fecharam 231 escolas de aldeias transmontanas

O pior, lamentam os pais, é as crianças sairem de manhã e, no Inverno, só regressarem de noite.

São 8h25, Flávio Martins aguarda o autocarro, na paragem da sua aldeia, para ir às aulas a Rossas, uma aldeia vizinha. Apesar de, no ano passado, já ser o único aluno da escola de Sortes, no concelho de Bragança, Flávio preferia terminar lá o 1.º Ciclo para continuar perto da família.

Já Filipa Pires, uma menina de seis anos que foi esta semana à escola pela primeira vez, diz que está contente por começar logo na 'primária' de Rossas. “Eu já andei lá no infantário e tenho lá os meus amigos”, justificou-se.

Mas os pais têm uma posição diferente, alegando que a escola de Sortes podia receber os alunos de duas aldeias vizinhas (Viduedo e Lanção), evitando grandes deslocações aos seus filhos. “As crianças saem de manhã e, no Inverno, chegam já de noite. Além disso, a aldeia vai perder vitalidade com a ausência das crianças”, realçou João Martins, o pai de Flávio.

Há, ainda, outras razões para os pais se oporem à mudança dos alunos das aldeias transmontanas, cujas escolas primárias já fecharam ou vão encerrar em breve. Zulmira Pires, por exemplo, confessa que preferia continuar a ver a sua filha na escola em Sortes, pois estava mais perto da família. “Assim, se lhe acontecer alguma coisa, não tenho meios para ir ver o que passa”, lamenta a mãe da Filipa.

Esta situação repete-se na maioria das aldeias do distrito de Bragança, onde as crianças, após o encerramento de 231 escolas do mundo rural, têm que percorrer diariamente uma média de 15 quilómetros, até localidades vizinhas.

O Ministério da Educação encerrou todas as escolas com menos de dez alunos, transferindo-os para os estabelecimentos de ensino mais próximos.

No entanto, a maioria das escolas de acolhimento ainda carecem de beneficiação. “ Já melhorámos algumas e, durante a próxima semana, vamos iniciar as obras no Zoio e em Rossas”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Jorge Nunes.

Já a construção dos novos centros escolares, para receberem alunos nos próximos anos, só deverá avançar após a aprovação das candidaturas da CMB ao Quadro de Referência Estratégico Nacional. Este ano, as autarquias foram obrigadas a garantir o transporte e a improvisar cantinas, para que o ano lectivo se iniciasse na data marcada.

No distrito de Bragança, o concelho de Mirandela foi aquele onde mais escolas encerraram (40), seguindo-se Macedo de Cavaleiros (36) e o próprio município de Bragança (32).

Quanto ao futuro dos estabelecimentos de ensino abandonados, as autarquias garantem que servirão de sede para Juntas de Freguesia e associações locais, ou como unidades turísticas.