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FAO: José Graziano assume direção com a missão de eliminar a fome em plena crise

O brasileiro José Graziano da Silva vai assumir no domingo a direção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

José Graziano da Silva, eleito em junho passado para comandar a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), toma posse no domingo, com a difícil missão de erradicar a fome num mundo a atravessar uma crise profunda. Para a sua ex-assessora e atual secretária do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome brasileiro, Maya Takagi, o grande desafio da nova direção da FAO é conseguir convencer os governos nacionais a assumirem o compromisso político de combater a fome nos seus territórios. "A FAO terá de fazer um trabalho junto dos países para fortalecer esse compromisso, para que os governos deem essa prioridade que o Brasil deu, no início do mandato do Presidente Lula da Silva, de assumir como prioridade de governo a erradicação da fome", opina Maya Takagi. De acordo com os últimos relatórios divulgados pela FAO, existem hoje cerca de 500 milhões de pessoas em situação de fome no mundo, estando a maior parte concentrada em África e Ásia.

Cooperação técnica

Para a secretária, que trabalhou na estruturação do programa "Fome Zero" ao lado de Graziano da Silva, é muito importante que o trabalho da FAO não seja meramente assistencialista. "Não é tratar a fome como ajuda humanitária apenas. Precisamos fazer ajuda humanitária, mas é mais do que isso. É cooperação técnica, cooperação na formulação de políticas, programas que vão além da doação de alimentos", defende. Para cumprir a tarefa, o economista e agrónomo brasileiro terá um mandato de quatro anos pela frente, com o desafio agravado diante da crise financeira internacional que traz a tendência de uma significativa alta nos preços dos alimentos. Como alternativa ao momento difícil, Maya Takagi aponta os programas de compra de alimentos do Governo brasileiro que se focam na aquisição de produtos do pequeno agricultor familiar. "O nosso programa de compra de alimentos, que faz a ponte entre a produção local, estimulando a agricultura familiar, para destinar os alimentos a famílias que estão passando fome, tem sido um bom exemplo de sucesso", ressalta. O programa em causa visa estimular a produção do pequeno agricultor que está isolado e não possui organização suficiente para destinar sua produção para o mercado.

Crescimento da economia

Com a ajuda do Governo, que passa a adquirir esses produtos nas suas compras institucionais, este produtor recebe auxílio para canalizar a sua colheita para a comercialização, além de contar com crédito a juros mais baratos e garantias de preço mínimo. "A gente faz a economia girar a partir da distribuição de renda. Levando esses benefícios para a população mais pobre, eles também passam a consumir mais e contribuem para o crescimento da economia", garante Maya Takagi, citando novamente o caso brasileiro. "Muito desse nosso crescimento nos últimos oito, nove anos, foram associados a um maior consumo das classes de renda média e rendas menores. É preciso trabalhar conjuntamente o crescimento com a distribuição de renda, um alimenta o outro" reforça. José Graziano foi ministro de Segurança Alimentar do governo de Lula da Silva, quando ajudou a implantar o programa Fome Zero. Nos últimos cinco anos esteve à frente da agência regional da FAO para a América Latina, sediada no Chile.