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Famílias processam Estado

A Associação de Familiares das Vítimas quer que o antigo ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, diga "tudo o que sabe".

As famílias das 59 vítimas mortais do colapso da ponte de Entre-os-Rios anunciaram hoje que vão interpor uma queixa-crime contra o Estado e pediram ajuda ao antigo ministro Jorge Coelho, dizendo “tudo o que sabe”.

“Esperamos que nos ajude neste processo, oferecendo-se para falar", disse à Lusa o presidente da Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTE-R), Horácio Moreira, que anunciou ainda que o Ministério Público vai recorrer da decisão judicial, que ilibou seis engenheiros da extinta Junta Autónoma de Estradas e dois projectistas da empresa Etecelda, acusados de não terem feito o que estaria o seu alcance para evitar o colapso da ponte.

A Jorge Coelho, Horácio Moreira vai pedir que “conte tudo o que sabe”, afirmou o dirigente associativo, depois de referir que ouviu “com tristeza” as palavras do antigo ministro socialista sobre a tragédia de 2001, durante a emissão televisiva 'Quadratura do Círculo', ontem à noite, na SIC Notícias.

“Não é possível que 59 pessoas tenham morrido a atravessar um equipamento cuja manutenção é da responsabilidade do Estado e, feita a investigação, ninguém seja responsabilizado”, disse na SIC Notícias o antigo ministro do Equipamento Social, que se demitiu daquelas funções a 5 de Março de 2001, um dia depois do colapso da ponte, afirmando que o fazia para que a culpa não morresse solteira.

Atitude positiva

“Atendendo ao que disse na altura da tragédia, esperava agora dele uma atitude positiva”, observou o presidente da AFVTE-R. Uma “atitude positiva” seria, segundo Horácio Moreira, “denunciar desde logo o que sabe”.

O presidente da AFVTE-R explicou que a decisão de avançar com um processo-crime contra o Estado foi tomada quarta-feira em reunião de direcção da associação. A responsabilização será feita “em moldes jurídicos ainda a estudar”, acautelou o dirigente.

O processo contra o Estado carece ainda que ser ratificado pela assembleia-geral da AFVTE-R, entretanto convocada para 4 de Novembro, mas Horácio Moreira manifestou a convicção de que a ideia será apoiada pela “esmagadora maioria” dos 252 familiares das 59 vítimas mortais.

Nas suas declarações à Lusa, o presidente da AFVTE-R disse que a opção por um processo contra o Estado não depende do resultado do anunciado recurso do Ministério Público (MP) face à decisão judicial de sexta-feira, em Castelo de Paiva, que ilibou seis engenheiros de responsabilidades criminais relativas à morte de 59 pessoas no colapso da ponte.

Ainda assim, considerou que o recurso da sentença e o processo contra o Estado têm subjacentes, em comum, o propósito de conseguir que o caso de Entre-os-Rios se transforme em “exemplo nacional em termos de aplicação da justiça”, num país onde o Estado “continua a ser desresponsabilizado por tudo o que acontece, sobretudo quando entra a política pelo meio”.

Nas alegações do processo-crime que terminou sexta-feira com a absolvição de seis engenheiros, o advogado das famílias, João Nabais, tinha pedido que se terminasse em Portugal com a “desgraçada tradição” de ilibar criminosos.