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"Faltam profissionais de saúde em África"

A OMS revelou hoje que a saúde dos países africanos está a progredir. No entanto, os Médicos do Mundo apontam a falta de técnicos no terreno.

"O que está a matar África não é a SIDA, é a falta de quadros médicos de saúde". No dia em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou as melhorias significativas do sistema de saúde africano, João Blasques, da organização não-governamental Médicos do Mundo, revelou ao EXPRESSO a visão de quem convive diariamente com esta realidade.

O relatório da OMS fala de melhorias. Isto já se sente no terreno?
De um modo geral houve progressos, mas temos de pensar que África se divide em muitas regiões e que, em cada uma delas, as condições variam muito. As situações de guerra trouxeram muitos países por aí abaixo. Mesmo as regiões que tiveram ganhos significativos, vivem em geral situações tão más que, por mais que melhorem, é sempre pouco.

Quais as principais dificuldades que os Médicos do Mundo encontram em África?
A falta de pessoal médico e de enfermagem. O que está a matar África não é a SIDA, mas sim a falta de quadros de saúde. Há regiões onde um posto de saúde ter uma parteira e um enfermeiro já é um grande luxo. Em muitos países as infra-estruturas são mesmo decadentes. Outro dos grande problemas é fazer chegar os medicamentos a tempo útil e sem quebras de fornecimento. A nível mais pessoal, moralizar os profissionais locais não é fácil. Muitos não recebem ordenado durante meses.

O que tem de ser feito para melhorar a saúde em África?
É preciso, acima de tudo, investir nos sistemas de saúde. As organizações internacionais têm de perceber que é preciso fazer projectos com estrutura e não apenas coisinhas pontuais. Há também a falta de formação do pessoal local. Não é só preciso dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. A falta de médicos e enfermeiros voluntários podia ser facilmente resolvida com programas de incentivo. Bastava que cada médico despendesse um ano da sua carreira nesta causa.