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Falta de médicos volta a parar ambulância em Beja

"Não há médicos debaixo das pedras e não conseguimos fazer milagres", disse à Lusa o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, Rui Sousa Santos.

A VMER-Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Beja voltou a estar inoperacional quarta-feira, devido à falta de médicos, e não foi accionada para três socorros que resultaram em dois mortos, denunciaram fontes dos bombeiros.

A inoperacionalidade da VMER afecta ao hospital de Beja verificou-se durante as operações de socorro a um caso de insuficiência respiratória, na capital de distrito, e a duas paragens cardio-respiratórias no concelho de Ferreira do Alentejo, tendo morrido estas duas últimas vítimas, explicaram as fontes.

No caso de Beja, os bombeiros pediram, às 9h00, a presença da VMER para socorrer um sexagenário numa "situação complicada" de insuficiência respiratória, mas o CODU-Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM-Instituto Nacional de Emergência Médica informou que a viatura "estava inoperacional", disse hoje à agência Lusa o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja, Pedro Barahona.

"O idoso estava numa situação complicada e, se a VMER estivesse operacional, teria sido certamente accionada", acrescentou o mesmo responsável.

No concelho de Ferreira do Alentejo, o primeiro caso verificou-se às 10h56, quando os bombeiros locais foram accionados pelo CODU para socorrer, na freguesia de Alfundão, um homem de 85 anos em paragem cardio-respiratória e receberam a "indicação de que a VMER iria ser accionada", revelou à Lusa o comandante da corporação, António Gomes.

"Pouco tempo depois, o CODU informou que a VMER, afinal, não ia ser accionada porque estava inoperacional devido à falta de médicos", explicou o comandante, referindo que os bombeiros procederam às manobras de reanimação do idoso até ao hospital, onde lhe foi declarado o óbito.

No segundo caso, na vila de Ferreira do Alentejo, explicou António Gomes, o CODU, com a "indicação de que a VMER estava inoperacional", accionou os bombeiros, às 13h52, para "socorrer e transportar até ao hospital de Beja" um homem de 65 anos em paragem cardio-respiratória.

Tal como no caso anterior, frisou António Gomes, os bombeiros procederam às manobras de reanimação do idoso até ao hospital, onde lhe foi declarado o óbito.

Contactado hoje pela Lusa, o gabinete de comunicação do CHBA-Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, que gere o hospital de Beja, confirmou que a VMER esteve inoperacional entre as 8h00 e as 16h00 de quarta-feira devido à falta de médicos.

Segundo o gabinete, o período entre as 8h00 e as 16h00 é aquele em que o hospital tem "mais dificuldades" em garantir médicos para tripular a equipa da VMER, constituída por um médico e um enfermeiro.

"Estamos a fazer todos os possíveis para assegurar a operacionalidade da VMER", mas o hospital confronta-se com uma "falta de médicos aguda", já tinha garantido à Lusa, anteriormente, o presidente do conselho de administração do CHBA, Rui Sousa Santos.

"Não há médicos debaixo das pedras e não conseguimos fazer milagres", disse o responsável, explicando que devido às "dificuldades em recrutar médicos" e "ao modelo e aos critérios definidos pelo INEM", o hospital de Beja tem "muitas dificuldades para conseguir médicos para assegurar a operacionalidade da VMER 24 horas por dia, 365 dias por ano e sem falhas".

Para "estabilizar a operacionalidade da VMER e evitar futuras interrupções no serviço", adiantou Rui Sousa Santos, o CHBA prevê, em Junho, dar formação específica para tripular a viatura aos médicos internos do hospital e da Sub-região de Saúde de Beja que preencham os critérios exigidos pelo INEM.

Só nos últimos dois meses, já são sete os casos denunciados à Lusa pelos bombeiros envolvendo a falta de assistência médica da VMER de Beja, tendo falecido já no hospital cinco das vítimas.