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Atualidade / Arquivo

Falha técnica determinou acidente com avião da GOL

Controlador não conseguia ler a altitude real do jacto Legacy.

O maior acidente aéreo da história do Brasil foi determinado pela ausência do sinal «transponder» do jacto de matrícula norte-americana Legacy. O equipamento, que dá ao controlador de tráfego aéreo a identificação e a posição da aeronave em tempo real, não estava a funcionar. Quer isto dizer que, o controlador não sabia, de facto, a que altitude se encontrava o jacto e o sistema anti-colisão TCAS instalado nos dois aviões não pode, também assim, ser accionado pelo computador de bordo. Os TCAS teriam cruzado a informação da altitude do Boeing e do jacto e feito disparar um alarme sonoro no «cockpit» dos dois aviões, ordenando a um que subisse e ao outro que descesse para os colocar fora da rota de colisão.

A falha já está confirmada pela equipa de investigação do acidente, que tentará agora saber se houve uma avaria no equipamento ou se foi a própria tripulação que colocou inadvertidamente o «transponder» na posição de «stand by». Fonte próxima da investigação explicou ao EXPRESSO que naquela aeronave o botão (na foto) usado pelos pilotos para sintonizar as diferentes frequências de comunicação via rádio é o mesmo que liga e desliga o «transponder». Ou seja, quando se muda a frequência rádio pode-se por erro estar a desligar o equipamento.

No chão, o controlador tinha os planos de voo das duas aeronaves e somente a monitorização da altitude do Boeing. Ele sabia que os aviões voam em sentido contrário à mesma altitude (37 mil pés) e que o Legacy teria de descer ou subir quando cruzasse Manaus para não colidir com o Boeing, que manteria a altitude. A mudança do nível de voo é obrigatória porque de Brasília para Manaus os aviões circulam em níveis pares e de Manaus para Brasília em níveis ímpares. Os pilotos norte-americanos estavam informados sobre esta regra e escolheram antecipadamente – quando elaboraram o plano de voo – descer mil pés (dos 37 para os 36 mil pés de altitude) quando atingissem aquele ponto. Não o fizeram e o acidente aconteceu.

Quando os pilotos se aproximaram da coordenada onde teriam de perder altitude ficaram à espera da instrução, obrigatória, vinda de terra. Contudo, a ordem não chegou porque no ecrã do computador do controlador de tráfego aéreo já aparecia o Legacy a 36 mil pés, isto é, na altitude prevista e a mil pés abaixo do Boeing. O sistema brasileiro de tráfego aéreo, da responsabilidade militar, assume automaticamente a altitude referida no plano de voo para os vários pontos da rota, mesmo quando o avião está abaixo ou acima desse nível, como foi o caso. Como tinha aquela indicação no ecrã, o controlador convenceu-se que já tinha dado a ordem aos pilotos e só o facto de não ter a altitude real por falta de «transponder» o fez duvidar. Foi nesse momento que tentou contactar a tripulação do jacto, mas o Legacy já estava fora da área de cobertura rádio.

Peritos que conhecem bem a zona amazónica garantem que se trata de uma região com múltiplas falhas nas comunicações via rádio e na própria cobertura radar das aeronaves. O sistema está já a ser equacionado, mas entretanto perderam-se 154 vidas.