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EUA: Gays poderão 'ir à tropa' a partir do próximo mês

O Senado americano discute no próximo mês um novo orçamento da Defesa, que, entre outras medidas, admite a presença de militares homossexuais nas forças armadas, onde existirão hoje cerca de 60 mil gays e lésbicas em segredo.  

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA (www.expresso.pt)

Desde 2001, mais de 13 mil militares americanos foram expulsos por serem gays ou lésbicas. Tudo por causa da norma "don't ask, don't tell", em vigor desde 1993, que determina que ninguém possa assumir publicamente a sua homossexualidade, enquanto estiver ao serviço das forças armadas.

Barack Obama prometeu acabar com essa regra e, na passada quinta-feira, a Câmara dos Representantes fez-lhe a vontade, aprovando, com 234 votos a favor e 194 contra, um orçamento de Defesa (no valor de 700 mil milhões de dólares) que inclui o fim daquela obrigação.

"Como é que com duas guerras em curso nos podemos dar ao luxo de expulsar pessoas 100% capazes. Quando estive em Bagdade e saia em patrulha, eu e os meus camaradas não queríamos saber se havia ali alguém gay. Apenas se todos sabiam disparar uma arma", disse, em entrevista à televisão pública americana, PBS, o congressista democrata Patrick Murphy, um veterano da guerra no Iraque.

Em discordância absoluta, o republicano Mike Pence afirmou que o tempo não é para "experiências sociais", enquanto Peter Sprigg, director do "Family Research Council", organismo que promove as virtudes da "don't ask don't tell", explicou ao Expresso que "precisamente por estarmos em tempo de guerra, os liberais não devem desestabilizar as forças armadas".

Na passada sexta-feira de manhã, o comité das forças armadas do Senado (câmara alta do Congresso americano) aprovou, com 16 votos a favor e 12 contra, o novo orçamento de Defesa. Mas, no debate previsto para o próximo mês no mesmo Senado, o documento pode ser rejeitado. São precisos 60 votos e os democratas têm 59 dos 100 assentos. Além disso, Obama já esclareceu que gostaria de ter apoio bipartidário para esta reforma.

"Dos cerca de 1.5 milhões de elementos das forças armadas, calcula-se que mais de 60 mil sejam gays e lésbicas. Sabe que mais? Não faz diferença nenhuma", explica Ambrey Sarvis, director do "Service Members Legal Defense Network", grupo de advogados que serve militares homossexuais em processos contra o Estado.

Depois de três missões no Iraque, Anthony Woods foi expulso por assumir a sua homossexualidade. Este congressista democrata e um dos principais activistas americanos contra o fim da norma "don't ask, don't tell", numa entrevista publicada no Expresso, em Fevereiro, recordava: "violei a lei e paguei por isso".