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Estratégia diplomática portuguesa privilegia África

A criação de um centro de expressões culturais africanas é considerado por José Sócrates como uma prioridade. O projecto, a apresentar na próxima terça-feira, será uma forma de encetar ligações económicas mais fortes com grandes países africanos.

A criação de um centro de expressões culturais africanas a sedear nas Tercenas do Marquês, às Janelas Verdes, em Lisboa, é o instrumento político escolhido pelo Governo português para encetar uma aproximação económica com aquele continente.

O projecto já está concluído e será oficialmente apresentado na próxima terça-feira. Vai custar quatro milhões de euros por ano e será financiado pelo Estado, Câmara Municipal de Lisboa e várias instituições privadas. Chama-se africa.cont.

A necessidade de fomentar laços económicos mais fortes com os grandes países africanos e alargar as relações lusas para além do espaço da lusofonia em África foi uma das conclusões a que o executivo de José Sócrates chegou após a Cimeira União Europeia/África, realizada o ano passado durante a presidência portuguesa da União Europeia.

Na mira do Governo estão países como Senegal, Nigéria e África do Sul, com os quais muitas empresas portuguesas já estabelecem ligações que querem ver desenvolvidas. O ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado tomou então a dianteira, delineando "uma estratégia diplomática" para alcançar esses objectivos.

A ideia foi partilhada com António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, e posta em prática por Fernando Dias, professor da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e consultor para os projectos multiculturais do Serviço de Belas Artes da Fundação Gulbenkian, depois de ouvidos os ministros da Economia e da Cultura.

A ponte cultural com África inclui todas as manifestações artísticas e contará com um orçamento anual na ordem dos quatro milhões de euros. Até à constituição do projecto em fundação privada de interesse público, prevista para 2010, essa verba será assegurada pela CML (que disponibilizará ainda espaços alternativos) e por parceiros privados: Fundação Gulbenkian, Fundação de Serralves, Elipse Foudation, Culturgest e Fundação Berardo, bem como empresas de construção civil, de telecomunicações, bancos e petrolíferas.

Os privados terão uma contribuição de 30% no orçamento da fundação, cabendo ao Estado suportar os restantes 70%.

Já a obra que transformará o edifício das Tercenas do Marquês em centro cultural será paga na íntegra com dinheiros públicos. O projecto arquitectónico, com conclusão prevista para 2012, é do tanzaniano David Adjaye e está, para já, a ser financiado pela Gulbenkian, único parceiro que não poderá integrar o Conselho de Fundadores da nova fundação por impeditivos estatutários.

Com dimensão internacional, o africa.cont já tem programação definida para 2009. A funcionar em rede também a nível europeu, norte-americano e brasileiro, juntará as produções próprias e as co-produções, privilegiando a itinerância.