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Estados Unidos apanhados desprevenidos

Nações Unidas revelam que, nos últimos dois meses, sete mil civis foram mortos no Iraque.

No terceiro dia da Assembleia Geral da ONU, a administração Bush voltou a sofrer graves contratempos nas suas relações públicas.

As Nações Unidas divulgaram um relatório onde se calcula que, nos últimos dois meses, cerca de sete mil civis foram mortos no Iraque, um número muito acima das estimativas iniciais. O relatório alerta para uma “grave crise sectária” que está a afectar o país. Esse aviso foi reforçado pelo anúncio de Manfred Nowak, o relator especial da ONU contra a tortura, de que a tortura no Iraque talvez seja mais grave actualmente do que no tempo de Saddam Hussein, onde milícias, grupos terroristas e forças governamentais não respeitam os direitos humanos dos prisioneiros.

Entretanto, o Presidente paquistanês, o general Pervez Musharraf, em entrevista ao canal de televisão CBS, admitiu que, depois dos ataques do 11 de Setembro, Washington ameaçou “bombardear o seu país até à destruição total”, caso ele não cooperasse com a guerra de terror americana. O general diz tratar-se de “um comentário muito desagradável” e que a sua insatisfação é certamente partilhada por todos os muçulmanos.

Ao mesmo tempo, o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, continuou a provocar os anfitriãos americanos, recusando mais uma vez a suspensão do programa nuclear iraniano. Numa conferência de imprensa, disse que os iranianos têm uma “enorme consideração” pelos americanos e acrescentou ainda que “nos Estados Unidos, muitas pessoas acreditam em Deus e na justiça”, deixando bem claro que o seu problema é com Bush.

Por seu lado, a Liga Árabe exigiu um novo impulso para o processo de paz no Médio Oriente. Numa reunião de ministros estrangeiros do Conselho de Segurança, o xeque o Bahrein, Khalid Bin Ahmed Al-Khalifa, falando em nome da Liga, apelou às negociações entre israelitas e árabes com um prazo concreto e solicitou um relatório do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre a melhor forma de as levar a cabo. Apoiados pela Rússia, os árabes exigem conversações imediatas sobre questões relacionadas com a fronteira, Jerusalém e os refugiados. Esta posição não conta, porém, com o apoio dos Estados Unidos, que concordam com as condições prévias de Israel, nomeadamente com a libertação dos prisioneiros de guerra israelitas.

Tradução de Ana Teresa Pinto Sousa