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Atualidade / Arquivo

Espanhola encontra filha roubada há 31 anos

Documentação de María, nascida em 1981 na maternidade madrilenha de Santa Cristina, cita o nome da irmã Maria Gómez Valbuena, freira espanhola acusada por rapto de bébés durante a ditadura de Franco.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Aos milhares de bebés roubados a famílias pobres e vendidos a famílias ricas por freiras espanholas durante o franquismo, junta-se agora o nome de María, nascida em fevereiro de 1981 em Madrid. Mãe biológica e filha, que preferem continuar no anonimato, reencontraram-se recentemente em Espanha, depois de um processo legal iniciado há um ano. 

María nasceu há 31 anos em Santa Cristina. De acordo com a Antena 3 espanhola, na documentação de María consta o nome de María Gómez Valbuena, a freira que é a principal suspeita no caso, em tribunal, do rapto de outra menina na mesma maternidade.

Há um ano, María apresentou num tribunal uma Ordem de Jurisdição Voluntária para que o juiz a deixasse conhecer as suas origens biológicas, como manda a lei espanhola.  Meses depois, o juiz disponibilizou-lhe a identidade de uma mulher que deu à luz uma menina no mesmo dia e na mesma hora em que ela nasceu. O caso foi entregue pelo juiz a um mediador familiar que contactou a possível mãe, Elvaira, uma galega residente em Ourense. 

Elvira e María submeteram-se a provas de ADN, que demonstraram "sem nenhuma dúvida" que ambas são mãe e filha. E foram chamadas a encontrar-se em Madrid.

"Foi como se estivesse a ver a mim mesma, com mais idade", disse María, referindo-se à semelhança física entre as duas. Elvira, por sua vez, acrescentou: "Foi um pouco estranho,  cumprimentamo-nos com dois beijos, como duas estranhas. Mas logo tive a certeza de que era minha filha". 

"Perdi os melhores anos da minha filha"

Elvira deu à luz María quando tinha 18 anos. Ainda na maternidade de Santa Cristina, recebeu a notícia de que tinha tido uma menina mas que esta morrera.

Na realidade, a recém-nascida foi tirada à mãe e entregue para adoção a um casal de Ciudad Real, um homem e uma mulher com mais de 45 anos que, através de um sacerdote amigo, iniciaram os trâmites para obter a custódia da menina.

Tanto María como Elvira - que depois que lhe roubaram a filha casou-se e é mãe de um rapaz - vão apresentar queixa em tribunal. "Não me sai da cabeça. É inacreditável. Perdi os melhores anos da minha filha e isso não se paga nem com dinheiro nem com pena de prisão", diz Elvira.