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Atualidade / Arquivo

Espanhóis e franceses comparecem em tribunal

Um avião fretado pela ONG "Arco de Zoe" foi impedido de deixar o Chade em direcção a França. Tripulação e passageiros estão agora detidos e às ordens da justiça do país africano.

Pedro Chaveca

Os nove franceses e sete espanhóis que na passada quinta-feira foram detidos no aeroporto da cidade chadiana de Abeche enfrentam várias acusações de rapto de menores e vão esta segunda-feira ser presentes a um juiz. Se tudo correr mal poderão ser condenados a uma pena de prisão até 20 anos de cadeia.

Segundo o ministro chadiano do Interior, Ahmat Mahamat Bachir, é "provável que [os detidos] sejam presos durante muitos anos", pois segundo garantiu o governante, os espanhóis e os franceses, para além do rapto das crianças, são também acusados de terem falsificado vários documentos e de "terem ofendido gravemente o Chade."

A situação é de tal forma séria que o próprio presidente do Chade, Idriss Deby, acusou directamente a tripulação espanhola de pertencer a uma organização pedófila.

Embora tanto o governo de Madrid como o de Paris já se tenham posto em campo, as críticas por parte dos franceses em relação ao comportamento da "Arco de Zoe" são bastante duras, considerando o comportamento dos compatriotas "ilegal e inadmissível".

"A França é uma boa mãe"

Ainda assim e como sublinhou Rama Yade, secretária de Estado francesa dos Assuntos Exteriores, "A França é uma boa mãe" e que apesar dos "erros cometidos" irá prestar a "máxima assistência" aos nove detidos.

Do lado espanhol, o ministério dos Assuntos Exteriores considera que a situação embora "confusa, complicada e séria", não é tão grave como a dos vizinhos gauleses, pois segundo a mesma fonte, a tripulação espanhola mais não fez do que assegurar o voo pelo qual foram contratados pela ONG francesa.

A história ganhou contornos mediáticos e não muito claros quando na passada quinta-feira um avião fretado à companhia aérea espanhola Girjet pela ONG "Arco de Zoe" ficou retido no aeroporto de Abeche no Chade, com a tripulação e passageiros acusados do rapto de 103 crianças.

A ONG desmentiu as acusações e referiu que a operação "Salvação das Crianças" tinha unicamente como objectivo "salvar da morte" órfãos da guerra civil no Darfur. Eric Breteau, responsável da organização com fins humanitários, sublinhou que, tanto o governo do Chade como o francês estavam informados sobre esta acção.

Muitas perguntas sem resposta

Aqui nasce novamente a dúvida se tudo não foi preparado à margem de conversações prévias, pois o ministro chadiano do Interior negou que as autoridades do país estivessem informadas sobre esta operação.

As 103 crianças, entre os três e os oito anos, deviam ser transportadas para França, onde seriam adoptadas, embora fonte diplomática francesa tenha assegurado que a adopção seria complementada por um pagamento que poderia ir dos 2.600 aos 6 mil euros por cada criança.

A UNICEF também não poupou nas críticas ao comportamento da "Arco de Zoe": "O que se passou no Chade e o modo como se passou é ao mesmo tempo ilegal e irresponsável. Tal ocorreu em violação de todas as regras internacionais", referiu Veronique Taveau, porta-voz da agência das Nações Unidas.

As crianças estão agora a cargo de uma equipa da UNICEF e ao contrário do que foi dito não são todas órfãs nem padecem de qualquer doença. E, embora no início se pensasse que todas viriam da região mártir do Darfur, os técnicos no terreno estão a chegar à conclusão de que a maioria são originárias do Chade.