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Atualidade / Arquivo

"Escrever uma história livra-nos de um passado infeliz"

A historiadora distinguida com o Prémio Pessoa 2007 dedicou-o àqueles que gerem os arquivos portugueses de história contemporânea e que, apesar das dificuldades, "são dos melhores da Europa".

"Escrever a História é um modo de nos livrarmos de um passado infeliz", afirmou Irene Pimentel, na entrega do Prémio Pessoa 2007, recebido segunda-feira, ao fim do dia, das mãos do Presidente da República, no Museu Militar, em Lisboa.

Esta historiadora, que se distinguiu recentemente pela publicação de uma série de obras de referência sobre o período do Estado Novo, sublinhou que "ao fazer o luto do passado, o trabalho da História preserva a memória e contribui para transformá-lo numa memória pacificada e justa, condição de uma relação actuante com o passado e o futuro".

Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa que, juntamente com a Unisys, atribui o Prémio Pessoa há 20 anos, sublinhou tratar-se de "um bom exemplo de afirmação da sociedade civil", levado a cabo autonomamente e sem depender do Estado ou de dinheiros públicos.

Lembrou tratar-se da terceira mulher a receber esta distinção (depois da pianista Maria João Pires em 1989 e da pintora Menez, no ano seguinte) e de mais uma pessoa da área da História (José Mattoso, para além do arqueólogo Cláudio Torres, também anteriormente distinguidos).

Traçando o perfil da premiada, Balsemão referiu tratar-se de uma pessoa que, embora doutorada, "não tem uma ligação formal à academia", o que não a impediu de seguir o seu próprio caminho na investigação histórica, "escolhendo temas difíceis, como a Pide, Salazar ou os judeus em Portugal".

No final do seu discurso de agradecimento, Irene Pimentel dedicou o prémio recebido a um conjunto de pessoas e instituições, a começar "por aqueles que gerem os arquivos de História Contemporânea, dos melhores da Europa, apesar da falta de pessoal e de verbas". Estendeu a dedicatória "àqueles que lutam pela existência de locais de memória, onde se possa preservar e simbolizar o passado sem o diabolizar". E abrangeu, ainda, os professores que, na escola, "se esforçam por divulgar a História, envolvendo os alunos". Tudo isto, "num momento em que a História é, por vezes, encarada como uma inutilidade que nos estaria a ancorar no passado, sem nos deixar espaço para o presente e o futuro".