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Envio de capacetes azuis adiado

Força de paz da União Africana fica no Darfur até 31 de Dezembro. A situação é um dos temas em destaque na Assembleia Geral da ONU.

O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) decidiu prorrogar e reforçar o mandato da sua força no Darfur até 31 de Dezembro, afastando o perigo de um “vazio” de intervenção até a conclusão de um acordo entre as Nações Unidas e o Governo sudanês para o envio de capacetes azuis para a região.

O Conselho de Segurança da ONU tinha decidido em Agosto substituir os 7200 homens da força de paz da UA, mal equipados e com graves problemas logísticos e financeiros, por tropas das Nações Unidas. Em consequência, a organização africana tinha ainda anunciado que não prorrogaria o mandato da sua missão, que terminava a 30 de Setembro, às tropas africanas no terreno, passando sob o mando das Nações Unidas.

O Governo do Presidente Omar al-Bechir, que se opõe ao envio de tropas não africanas para o Darfur, tinha anunciado que não aceitaria a “troca de capacetes” e que os militares da UA deveriam sair do país no final de Setembro.

A situação no Darfur e a ameaça de um “genocídio” parecido com o do Ruanda é um dos temas fortes da actual Assembleia Geral das Nações Unidas. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apelou à comunidade internacional para intervir “antes que seja demasiado tarde”. Está também em curso, nomeadamente na imprensa norte-americana e britânica, uma campanha a favor de uma intervenção musculada.

O Conselho de Paz e Segurança da UA, reunido na sede da UA em Nova Iorque, com a participação de Kofi Annan, do presidente sudanês, dos líderes da UA, da Liga Árabe e do chefe das operações de paz da ONU acabou por aprovar uma solução de compromisso, com a prorrogação do mandato da missão africana e a promoção de um diálogo entre a ONU e o governo sudanês.

O conflito armado, iniciado em Fevereiro de 2003, na região ocidental do Sudão já causou, segundo fontes da ONU, cerca de 200 mil mortos e mais de um milhão de deslocados e refugiados.

Em Maio, o Governo sudanês assinou em Abuja, Nigéria, um acordo de paz com o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), o principal grupo rebelde do Darfur. Mas o Movimento pela Justiça e a Igualdade, o outro movimento rebelde, rejeitou o acordo.

Campos de refugiados e transportes de ajuda humanitária são regularmente atacados por grupos armados de uma ou outra facção e várias organizações humanitárias ameaçam deixar de trabalhar no Darfur se as condições de segurança não melhorarem.