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Expresso

Atualidade / Arquivo

Entrega adiada

O Tribunal Judicial de Lousada decidiu adiar até sábado a entrega da pequena Anderia aos verdadeiros pais para acautelar qualquer situação traumatizante da menor.

Os pais da bebé resgatada anteontem pela PSP vão poder visitar a filha amanhã e sexta-feira, durante todo o dia e no horário que preferirem, antes de a acolherem em definitivo na sua casa, em Cernadelo, Lousada. O adiamento da entrega da menina, que esteve sequestrada durante um ano a pouco mais de 20 quilómetros da residência dos verdadeiros progenitores, foi decidido, hoje, pelo Tribunal Judicial de Lousada, após uma audiência de três horas com o pai da criança, duas tias e um tio paterno.

A esta diligência, em que para além da juíza responsável pelo caso participou ainda uma psicóloga da Comissão de Protecção de Menores local, a ausência mais notada foi a de Isaura Pinto, a mãe de Andreia, que não compareceu ao encontro por se encontrar em Lisboa a participar num programa televisivo. Os familiares da menor foram notificados pela GNR de Lousada hoje, às 13h40, tendo o pai de Andreia resistido inicialmente a deslocar-se ao tribunal, argumentado com a ausência da mulher. As irmãs e os vizinhos acabaram por convence-lo da importância do encontro que ditou os dois dias de visitas à menor, para que a transição para um meio familiar que lhe é desconhecido não seja tão traumatizante.

Internada na Casa do Caminho, em Matosinhos, desde que foi resgatada segunda-feira, é nesta associação de solidariedade social que a pequena Andreia irá privar com os pais nos próximos dois dias. Na sequência da audiência, o Tribunal decidiu ainda aplicar provisoriamente uma medida de promoção e protecção de apoio junto dos pais, a quem irá conceder apoio psicológico, social e psicossocial, a prestar por técnicos da Segurança Social da área de residência.

Sinalizada pela Comissão de Protecção de Menores desde 2001, a família biológica de Andreia evidencia graves carências económicas, que terão estado na origem da entrega há seis anos de duas filhas, hoje com 9 e 10 anos, aos cuidados de uma madrinha. O processo mantém-se em curso no Tribunal de Lousada, dado Isaura e Albino Pinto nunca terem desistido do regresso a casa das filhas e de ficar com a sua custódia permanente.