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Em português nos desentendemos

A inscrição de novas palavras no léxico português difere de dicionário para dicionário, enquanto que em relação à ortografia o acordo estabelecido em 1945 ainda continua a ser a principal referência normativa.

Portugal não tem nenhuma instituição com poder normativo para estabelecer qual o léxico português vigente, como acontece no país vizinho com a Real Academia Espanhola. Na prática, acabam por ser os diferentes dicionários a caucionar a entrada de novas palavras, só que a língua é uma entidade viva em constante evolução, e não há homogeneidade ou consensos entre as diferentes obras.

 

Para criar ainda mais confusão, o polémico acordo ortográfico de 1986 nunca chegou a ser aplicado, pelo que em geral é tido como referência a ortografia estabelecida em 1945, com algumas alterações introduzidas nos anos 70.

 

A história dos acordos ortográficos da língua portuguesa é, de resto, uma longa sequela de um conflito de forças e de desacordos entre Portugal e Brasil. Em 1911, Portugal procedeu a uma profunda reforma ortográfica, que procurava acompanhar a modernização da língua, um documento considerado magnífico deste lado do Atlântico, mas que no Brasil haveria de encontrar frontal oposição, encarado como uma atitude imperialista por parte de Portugal, como refere João Sá da Costa no livro «A Demanda da Ortografia Portuguesa».

 

Após diversas iniciativas e «missões de paz», os dois países acabariam por assinar um grande acordo bilateral em 1945 que novamente levantaria grande polémica no Brasil que o acabou por rejeitar. Cenário inverso teve lugar já em meados dos anos oitenta quando o acordo ortográfico assinado com Brasil e os PALOP’s provocou uma onda de contestação com diversos artigos a serem publicados na imprensa portuguesa (insurgindo-se contra diversas alterações como a supressão de consoantes como por exemplo o «p» de «óptimo»).

 

As variantes ortográficas entre o português usado em Portugal e o do Brasil são demasiadas para seja fácil encontrar uma base comum. No caso da língua inglesa, por exemplo, Inglaterra e Estados Unidos já puseram de lado a ideia de ter uma base ortográfica comum.