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"É preciso, é urgente uma política diferente"

No mesmo dia em que patrões e sindicatos europeus assinam acordo em torno dos princípios da "flexigurança", cerca de 200 mil manifestantes gritam em Lisboa: "Emprego de qualidade, não à precariedade". CGTP já fala na maior manifestação dos últimos 20 anos e garante que o dito acordo não passa "de um documento de análise do mercado de trabalho".

Milhares de trabalhadores afluiram ao Parque das Nações, em Lisboa, em protesto contra a política económica e social em Portugal e em defesa de uma Europa com direitos sociais e emprego.

O protesto começou quase ao mesmo tempo em que o presidente em exercício da União Europeia (UE), José Sócrates, anunciou um acordo entre representantes das confederações patronais e sindicais da Europa em torno da modernização do mercado de trabalho e dos princípios da "flexigurança".

No seu discurso, o secretário-geral da CGTP-Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, que convocou a manifestação, acusou o gabinete do primeiro-ministro de mentir quando informou a comunicação social de que teria havido um encontro dos ministros com os parceiros sociais e que teriam chegado a um acordo, assinando um documento onde constam orientações sobre a flexigurança e do qual apenas havia ficado fora a CGTP.

Carvalho da Silva diz que se "trata apenas de um documento de análise do mercado de trabalho não tendo referências nenhumas sobre a flexigurança"

"Para o primeiro-ministro vale tudo quando tenta criar a ideia de isolamento dos sindicatos dos trabalhadores e da CGTP. Pode continuar obcecado. Vai ampliar muito o nervosismo com que anda nos últimos tempos porque nós não vamos descansar", rematou Carvalho da Silva.

Bombos e cabeçudos

Animada por um grupo de bombos e cabeçudos, a manifestação decorre de forma ordeira, mas muito barulhenta, obrigando ao corte de trânsito entre os Olivais e o Parque das Nações, em Lisboa.

Os manifestantes gritam várias palavras de ordem contra a política do Governo, nomeadamente "Direitos sindicais sim, repressão não", "É preciso, é urgente uma política diferente", "Emprego de qualidade, não à precariedade". Reivindicam ainda que "qualquer que seja o tratado, deve ser referendado".

À frente do desfile seguem os dirigentes nacionais da CGTP, com um enorme faixa onde se lê "Por uma Europa Social" (escrito em Português e Inglês), seguidos por vários dirigentes de sindicatos europeus que integram a Confederação Europeia de Sindicatos (CES).

Desta vez, a CES não enviou nenhuma delegação para participar na manifestação, apesar dos seus principais dirigentes se encontrarem em Lisboa, onde participaram esta manhã na cimeira social com a Presidência da União Europeia.

Segundo um dirigente da CGTP contactado pelo Expresso, a manifestação deve integrar cerca 200 mil pessoas. No "briefing" feito aos jornalistas antes do início da manifestação, a PSP embora tenha reconhecido a dificuldade de definir um número, apontava para a presença de cerca 150 mil pessoas.

A manifestação nacional decorre no mesmo dia em que se realiza a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

A manifestação realiza-se sob o lema "por uma Europa social, empregos com direitos" e tem como objectivos protestar pela situação económica e social do país e com as políticas europeias que vão ter repercussões negativas em Portugal, como a flexigurança, segundo disse à agência Lusa o dirigente da CGTP Amável Alves.



Contra a flexibilidade sem segurança

Num manifesto, a CGTP assumiu que a manifestação desta quinta-feira é um protesto contra a flexibilidade sem segurança, a desprotecção dos trabalhadores, o aumento da precariedade, a facilidade no despedimento, a redução dos salários reais e a limitação do papel dos sindicatos.

Defende, no mesmo documento, a promoção da negociação colectiva, o combate ao desemprego, o direito à formação, a igualdade no trabalho, o respeito pelos direitos dos trabalhadores, melhor segurança social, saúde e educação e maior justiça fiscal.

Os sindicatos da CGTP emitiram pré-aviso de greve, como de costume, para salvaguardar a presença dos trabalhadores que desejem participar na manifestação de protesto, mas "a greve não é a forma de luta escolhida para quinta-feira", esclareceu Amável Alves.