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Doentes dão nota positiva

Os utentes dos 31 hospitais EPE estão «globalmente satisfeitos» com os cuidados que lhes são prestados.

Ao contrário da opinião corrente, segundo a qual o funcionamento do Sistema Nacional de Saúde deixa muito a desejar, os utentes dos hospitais EPE (Empresas Públicas Empresariais) dizem-se «globalmente satisfeitos», mais até do que os clientes da banca ou das empresas de combustível.

A conclusão é do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação (ISEGI), da Universidade Nova de Lisboa, que ao comparar inquéritos de satisfação (de utilizadores de serviços de vários sectores) reparou que para os utentes dos 31 hospitais EPE o índice de satisfação nos internamentos é de 81,7% e nas consultas de 78,5%, em média. A banca e as empresas de combustível satisfazem, respectivamente, 72,3% e 71,8%.

O EXPRESSO questionou alguns utentes de um hospital-empresa.

Liliana Sousa, 40 anos, sente-se bem no Hospital Egas Moniz, onde está internada há uma semana, «por ter as plaquetas em baixo e uma hepatite. Questionada pelo EXPRESSO, dá nota máxima (100%) à unidade de saúde em todas as dimensões que o estudo sobre os Hospitais EPE avaliou e que vão da imagem do hospital, ao processo de admissão, passando pelo factor humano e pela alimentação. Hesita apenas em relação aos exames e tratamentos. «Nisso, há uma demorazinha. Mas é compreensível porque são muitos doentes, pelo que dou 100% também aí», concede. E remata: «Este hospital superou todas as minhas expectativas».

Embora também avalie de forma positiva o desempenho global do Egas Moniz, Shemina Jina, 51 anos, é menos afirmativa. À espera da consulta de Neurologia num corredor do hospital-empresa, dá 80% aos médicos, mas nota negativa quando o tema é o tempo que tem de aguardar por uma consulta. «As instalações também podiam ser melhores. São muito antigas», considera. «Agora, estamos no mês de Agosto e há pouco movimento. Mas, noutras alturas, os corredores estão cheios e os idosos não conseguem deslocar-se facilmente no meio de tanta gente».

Na urgência de Otorrinolaringologia, Laudelina Lopes, 68 anos, aguarda que um médico lhe examine o nariz, «que começou a tapar-se há um mês e meio». Comprei umas gotas para desentupir o nariz e não li a bula. Não reparei que só podiam ser administradas até um máximo de cinco dias e usei-as durante um mês e meio. Comecei a sangrar e vim cá parar», explica. Queixa-se do tempo que tem de aguardar até ser atendida. «Aí só dou 20% e o pessoal auxiliar também podia ser mais simpático. Alguns devem achar que nos estão a fazer um grande favor. Mas em tudo o resto este hospital vale bem uns 70%», assegura.

Leia mais na edição de sábado do EXPRESSO (pág.14)