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Divórcios 'à la carte'

Na Alemanha, os descontentes com o casamento já não perdem tempo a pedir o divórcio. Pagam para que alguém comunique por eles a decisão ao seu parceiro

Enquanto negócio, as agências matrimoniais já estão muito vistas no mercado e não trazem grande grau de inovação. Mas na Alemanha, há um empreendedor (digno do nome) que descobriu um novo nicho de mercado neste segmento dos relacionamentos e afectos.

Se não está feliz, não sabe como “livrar-se” do seu parceiro ou não tem coragem para fazê-lo, e na sua papelaria não encontra nenhum postalinho do género “odeio-te e já não tenho paciência para explicar porquê”, saiba que há um homem que por simples 20 euros, acaba com o seu relacionamento. O alemão Bernd Dressler é o mensageiro das más notícias. Caso para dizer: “é um trabalho sujo, mas alguém tem de fazê-lo!”

Não. Nesta agência não se celebram divórcios, em termos legais. Aqui, consumam-se separações. Aos 52 anos, Bernd Dressler ganha a vida ajudar os outros a livrarem-se de parceiros indesejados e a colocar um ponto final em uniões infelizes, de uma forma mais prática do que sentimental. Provavelmente, se não tivesse o típico perfil de robustez que exibem a maioria dos alemães, o negócio já lhe poderia ter saído mais caro do  que o custo dos seus serviços. Mas o empresário – um antigo mediador de seguros – garante que até à data ainda não foi alvo de nenhuma reacção mais emotiva aos seus serviços. Mas, à cautela, “Herr” Dressler, lá vai dizendo que é apenas o mensageiro.

O negócio tem um objectivo simples e não carece de grandes gastos com pessoal. A meta é “informar o parceiro rejeitado de que o seu cônjuge está insatisfeito com o relacionamento e lhe quer colocar um ponto final”, explica o empresário. O custo do serviço varia entre os 20 euros, se a notícia for transmitida pelo telefone, ou os 50 euros se exigir um “serviço ao domicílio”.
Em qualquer uma das modalidades, “a mensagem pode ser transmitida a frio ou de uma forma mais cautelosa”, refere o empresário. No momento em que recorre ao serviço, o cliente desta inovadora agência, deve referir as três razões que levam a querer por fim ao seu relacionamento e são esses os argumentos que Dressler usará no contacto com o visado. Se o cliente necessitar, a empresa de Dressler procede também à remoção dos seus bens da habitação comum.

Para o empresário, que precisa apenas de escassos 15 minutos para cumprir a sua tarefa, “há cada vez mais pessoas descontentes com os seus relacionamentos amorosos e não querem perder muito tempo a resolver a situação”. O sucesso deste negócio, muito sustentado por uma geração mais egocêntrica “que não tem tempo a perder com finais fora de moda, com muitos rodeios”, permite já ao empresário aspirar à internacionalização. Em seis meses de negócio, Dressler consumou cerca de 60 separações e apesar da empresa estar sediada em Berlim, tem vindo a receber contactos de clientes oriundos de outros países da Europa e também da América.

Portugal não figura (ainda) nesta lista, cujos principais clientes são mulheres que não gostam de um confronto directo com os seus parceiros na altura de dizer “adeus”. Mas tendo em conta que segundo estatísticas recentes os portugueses figuram entre os povos da Europa que menos acreditam no casamento, é bem possível que este seja um negócio com potencial também por terras lusas.