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Dilma Roussef primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU

A Presidente do Brasil, Dilma Roussef, faz hoje o discurso de abertura  da 66ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. É a primeira mulher a abrir a reunião anual da ONU, em Nova Iorque, onde estarão 193 países.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Dilma Roussef, considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo pela revista "Forbes", pronuncia hoje o discurso de abertura do debate geral da 66ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, tornando-se na primeira mulher a abrir o plenário anual da ONU.

Por tradição, desde a 1ª Sessão especial da Assembleia, em 1947, o Brasil é o primeiro país a discursar no conclave da ONU, e a comunicação da chefe de Estado brasileira deverá ser seguida pela do Presidente dos EUA, Barack Obama.  O debate geral terá este ano como tema "O papel da mediação na solução de disputas por meios pacíficos".

Articulação para superar crise

No seu discurso, na ONU, Dilma pedirá uma articulação entre os países para superar a crise económica. Deverá, também, expressar o apoio do Brasil aos anseios das populações do Norte da África e do Oriente Médio, protagonistas da "primavera árabe".

Segundo um diplomata brasileiro que teve acesso ao texto, citado pela BBC, a Presidente do Brasil deverá criticar a forma como os países mais afetados pela crise económica têm tratado a questão.

Em agosto, durante a cerimónia de lançamento da nova política industrial do Governo brasileiro - recorda a BBC -, Dilma Roussef afirmou que a persistência da crise internacional era gerada pela "insensatez, incapacidade política e supremacia de ambições regionais ou corporativas de alguns países".

No discurso de abertura do debate geral, há a expectativa de que Dilma Rousseff mencione o pedido de reconhecimento da Palestina como Estado membro da ONU, que o presidente da Autoridade Palestiniana se prepara para apresentar na sexta-feira. O Brasil, assim como os países vizinhos sul-americanos, já reconheceu a Palestina como um Estado soberano.

Segurança máxima

O plano de segurança para a 66ª Assembleia-Geral começou a ser preparado em dezembro, com o objetivo de assegurar que a reunião decorra sem incidentes. O Departamento de Segurança e Proteção da ONU, que tem 400 seguranças, conta com o apoio da polícia de Nova Iorque.

Entre delegações dos 193 países-membros, funcionários e jornalistas credenciados, cerca de 15 mil pessoas deverão circular por dia na sede das Nações Unidas, número que representa quase o dobro do que a organização recebe em dias normais.

O trânsito e a passagem de peões estão condicionados nas ruas e avenidas próximas da sede da ONU.

Durão Barroso participa

O presidente da Comissão Europeia também estará presente  hoje na 66ª Assembleia-Geral da ONU juntamente com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, o alto-representante/vice-presidente Ashton e os comissários Piebalgs, Dalli, Georgieva e Hedegaard.

Durão Barroso irá realizar encontros bilaterais e participar em vários eventos de alto nível sobre as alterações climáticas, a segurança nuclear, a Líbia e o consumo sustentável.

A declaração da UE no debate geral será efetuada, pela primeira vez, pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Entre os participantes, destaca-se ainda o Presidente de Timor-Leste. Xanana Gusmão falará sobre os progressos registados no país e o plano de transição.

No primeiro dia de trabalhos está também prevista a intervenção do Presidente de Moçambique, Armando Guebuza.

Fome na Somália e crise no Corno de África

Em agenda para o debate da sessão anual das Nações Unidas incluem-se temas como a fome na Somália e a crise humanitária no Corno de África, ou o impacto da "primavera árabe".

Durante o evento, haverá seminário anti-terrorismo, conferência sobre doenças não transmissíveis, conferências de alto nível sobre segurança nuclear e sobre a situação da Líbia, além da campanha de angariação especial para o Nordeste da África. 

Em conferência de imprensa sobre os principais temas da sessão anual, o secretário-geral da ONU disse que esta edição da Assembleia-Geral enfrenta um período cheio de instabilidade e que o organismo continuará  a  dedicar-se à construção de um mundo mais seguro e justo. Segundo Ban Ki-Moon, a  ONU vai prosseguir na luta pela promoção do desenvolvimento sustentável, prevenção de conflitos e desastres naturais, apoio aos países em transição, impulso das parcerias e melhoria da administração da ONU.

A 66ª Assembleia-Geral da ONU termina no próximo dia 27.