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"Digam lá quem quer ser deputado?"

Aguiar Branco foi muito criticado por já pensar em alternativas a Menezes. António Preto diz-se alvo de delito de opinião. Gomes da Silva agitou o tema das próximas listas. Foi tensa a reunião dos deputados do PSD.

A ameaça não foi explícita mas para bom entendedor ficou clara: a direcção do PSD aconselha os críticos internos a não esquecerem que dentro de pouco tempo começa a ser altura de pensar nas próximas listas de deputados. O tema foi lançado na reunião do Grupo Parlamentar pelo vice-presidente de Luís Filipe Menezes, Rui Gomes da Silva: "O dr. Pacheco Pereira costumava dizer no tempo do dr. Marques Mendes que quando havia agitação era porque estava tudo preocupado com os lugares nas próximas listas de deputados. Se é isso digam lá: quem é que quer ser deputado?".

O clima está tenso no grupo liderado por Pedro Santana Lopes. José Pedro Aguiar Branco foi duramente atacado pelo presidente da distrital de Braga do partido por estar, como o Expresso noticiou no passado sábado, já a pensar numa alternativa ao actual líder do partido e Rui Gomes da Silva também não lhe perdoou ter defendido o referendo europeu. "Quem está pelo referendo não o faz por convicção", acusou o vice de Menezes, a quem Aguiar Branco respondeu: "foi por convicção que andamos juntos, em 2004, quando ambos integramos o Governo de Pedro Santana Lopes, a defender o referendo". A Virgílio Costa, de Braga, que o acusou de "ter sempre perdido tudo em que se meteu contra Luís Filipe Menezes", Aguiar Branco optou por não responder, limitando-se a dizer: "podia pedir a defesa da honra mas não me apetece fazê-lo". Preferiu adicionar algumas críticas à direcção do partido, que acusou de não ter gerido bem o processo BCP (ao vir reclamar lugares, em vez de se ficar pela crítica à intervenção do Governo).

Com António Preto, outro crítico de Menezes, a guerra foi outra. O deputado tinha prevista uma intervenção sobre o tema agendado pelo CDS para a sessão parlamentar de quinta-feira - matéria fiscal - e foi informado de que, afinal, não falava. Tendo perguntado porquê na reunião do grupo, ouviu Luís Montenegro - vice-presidente de Santana Lopes e apoiante de Menezes -, dizer-lhe que se tinha andado a tomar posições contra o partido em matéria de referendo europeu, estava explicado. Santana Lopes ainda esclareceu que não há delito de opinião na bancada, mas é isso mesmo que António Preto considera que aconteceu consigo: "como escrevi uma carta ao líder parlamentar a pedir que o partido se mantivesse fiel à defesa do referendo, fui penalizado e tiraram-me a palavra", afirmou ao Expresso.

As Jornadas Parlamentares do PSD estão marcadas para 14 e 15 no Algarve. Uma das decisões que promete voltar a dividir os deputados é como votar a moção de censura do BE ao Governo por ter falhado a promessa de referendar a Europa. Menezes admite votar contra a moção. Os críticos internos acusam-no de, mais uma vez, ficar refém de Sócrates.