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Dia difícil para os emigrantes

Dia difícil para quem vive e trabalha no «território do inimigo». Em Paris, os emigrantes têm hoje de aturar as piadas de mau gosto dos franceses.

ESTA QUINTA-FEIRA está a ser difícil para os portugueses a residir em França, e os próximos dias também vão ser. «Lá vou ter de aturar, mais uma vez, as piadas de mau gosto dos meus colegas franceses!», disse ao EXPRESSO, na quarta-feira à noite, o jovem Cristophe de Abreu, de origem portuguesa, nascido em França.

Cristophe assistiu ao jogo nos ecrãs gigantes montados no estádio do Parque dos Príncipes, acompanhado por 25 mil adeptos, na sua esmagadora maioria franceses. O ambiente era muito hostil no estádio, onde o hino nacional português foi vaiado com assobios e ruídos de todo o género.

Algumas horas depois do jogo e na manhã de quinta-feira, os portugueses continuavam tristes com a derrota, mas orgulhosos. «Jogámos bem, demos uma lição de futebol, somos melhores do que eles», disse José Monteiro, nascido em Pereiro, Pinhel, proprietário do café-restaurante «La Comédie», junto ao centro Pompidou.

«Parece que há um feitiço contra Portugal!», exclamou Adelino Soares, um cliente habitual, natural de Arcos de Valdevez.

«Deve haver qualquer coisa no nosso subconsciente em relação à França, talvez ligado ao fenómeno da emigração nos anos 60, que nos impede de ganhar», concluiu João Matos, técnico de informática e residente no centro de Paris.