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Atualidade / Arquivo

Dezoito pessoas vão aguardar julgamento detidas

Acusados de rapto e cumplicidade para cometer sequestro os 16 europeus  e dois chadianos vão ser transferidos para a capital do Chade onde ficarão em prisão preventiva.

Pedro Chaveca

Um juiz de instrução de Abéché, Chade, acusou formalmente os nove franceses da ONG humanitária "Arco de Zoe" de rapto de menores e fraude. A tripulação espanhola do avião da Girjet foi apenas acusada de cumplicidade. Dois cidadãos do Chade foram também considerados cúmplices neste insólito caso de alegado rapto em massa.

O grupo de 18 homens e mulheres - entre eles três jornalistas -, que na passada quinta-feira foram detidos quando tentavam levar ilegalmente 103 crianças para serem adoptadas em França, deverão agora ser transferidos para a capital do país, N'Djamena, onde ficarão em prisão preventiva antes e durante o julgamento, caso não se chegue a nenhum acordo entre as partes envolvidas.

Franceses ficarão no Chade

A diplomacia francesa já assegurou que não irá pedir a extradição dos seus cidadãos. Segundo Bruno Foucher, embaixador dos gauleses em Dakar, Senegal, os responsáveis por esta operação "responderão aos seus actos no Chade", garantiu num encontro com o presidente chadiano, Idriss Déby.

Depois do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter dito que a acção levada a cabo pelos seus compatriotas foi "ilegal e inaceitável", começam a levantar-se algumas vozes da oposição que acusam o Chade de querer tirar dividendos políticos desta crise diplomática.

Jack Lang, membro histórico do parlamento francês e deputado socialista, sublinhou que "no início o governo francês não estava contra esta operação, que foi considerada humanitária, mas parece que agora o governo do Chade quer criar dificuldades à França".

Justiça lenta

Lang garantiu ainda conhecer alguns dos envolvidos que assegurou trabalharem no Darfur e que considerou serem "pessoas muito generosas, mas que cometeram muitos erros difíceis de compreender".

Apesar das acusações os franceses, membros da ONG "Arco de Zoe", continuam a afirmar-se inocentes, sublinhando que tudo o que iam fazer era tirar crianças órfãs e doentes duma zona de conflito, para serem adoptadas por famílias francesas.

A ONU, que já está no terreno a cuidar das crianças, refuta estas afirmações e sublinha que nenhuma das crianças está doente, muitas não são órfãs e são na esmagadora maioria originárias do Chade, país que não é considerado uma zona de conflito, ao contrário do vizinho Darfur, de onde os franceses alegam ter trazido as crianças.

Agora compete aos tribunais do Chade decidir quem tem razão, um processo que poderá demorar bastante tempo, pois o sistema judicial do país é conhecido pela sua lentidão. Segundo alguns especialistas, este caso poderá ser diferente tendo em conta o grande mediatismo que o envolve.