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Desemprego continua a crescer

Só em Julho, 43.654 desempregados inscreveram-se no Instituto de Emprego e Formação Profissional. As ofertas de emprego trilham o caminho inverso.

O desemprego de longa duração, ou seja, há mais de dois anos, aumentou em Portugal no último trimestre entre jovens com idade inferior aos 24 anos. Em Junho, havia 17.900  jovens desempregados nessa situação, contra apenas 10.400  registados no primeiro trimestre. O que significa um aumento de 72% no espaço de doze meses e de 40% face ao primeiro trimestre.

Estas são algumas das conclusões que se podem tirar das mais recentes estatísticas do desemprego em Portugal, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e referentes ao segundo trimestre do ano em curso. Em todos os outros escalões, no entanto, e comparativamente ao primeiro trimestre do ano em curso, o número de pessoas à procura de trabalho há mais de dois anos diminuiu. O problema afecta, sobretudo, os desempregados com mais de 44 anos de idade. Os números saltam à vista: em Junho, havia 49.700 contra 53.100 no primeiro trimestre.

Relativamente aos desempregados com idades entre 25 e 34 anos arredados do mercado laboral há mais de dois anos, os números, embora mais baixos do que no primeiro trimestre, continuam preocupantes: 31.200 (contra 36.500). Com 35 a 44 anos, por sua vez, havia 24.800 (contra  28.200) nessa situação.

Refira-se que, de acordo com o INE, havia em Junho 405,6 mil desempregados em Portugal.

Números da discórdia

A julgar pelos pedidos de emprego (497.106), porém, o número de desempregados é bem mais elevado: 436.901 segundo dados de Julho do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Os demais pedidos referem-se a pessoas que estão empregadas e que desejam  mudar de actividade ou de empresa.

Do total de desempregados apontados pelo IEFP, 54.734 têm menos de 25 anos, 105.094 entre 25 a 34 anos, 186.256 entre 35 a 54 anos, e 90.817 com idade igual ou superior a 55 anos de idade. À procura de emprego há mais de um ano, inscritos no IEFP, encontram-se 188.256 desempregados.

As mulheres são as mais afectadas pelo desemprego: 252.758 contra 184.143 homens. Os desempregados com níveis de escolaridade básica, sobretudo do 1.º ciclo (147.144), são os que mais procuram trabalho através do IEFP.

O balanço feito pelo IEFP mostra que somente em Julho deste ano inscreveram-se a pedir emprego 46.774 pessoas, das quais 43.654 foram registadas como desempregados. Números superiores, portanto, aos de Julho do ano passado (44.735, sendo 42.815 desempregados). E que coincidem com a ofertas de empregos sazonais, característica do Verão.

Oposição faz leitura pessimista 

No 2.º trimestre deste ano, a taxa de desemprego em Portugal estimada pelo INE foi 7,3%. Este valor é «superior em 0,1 pontos percentuais (p.p.) ao observado no período homólogo de 2005». No entanto, é «inferior em 0,4 p.p.» em comparação ao primeiro trimestre do ano em curso, quando a taxa de desemprego foi de 7,7%.

Uma coisa é certa, temos hoje mais desempregados do que tínhamos em período homólogo no ano passado (397,2 mil), mas a mensagem que o INE passa é positiva: verificou-se, simultaneamente, uma «redução trimestral, de 5,6%. O que acontece pelo segundo trimestre consecutivo».  O INE aponta, ainda, que o número de empregados aumentou 1% quando comparado com o mesmo trimestre de 2005, e 1,1%, relativamente ao trimestre anterior.

Para as centrais sindicais e para a oposição, no entanto, os mais recentes dados divulgados pelo INE só têm uma leitura: a de que o desemprego está a subir.

Questionado pelo EXPRESSO, o deputado Luís Pares Antunes (PSD) diz que «os dados correspondem às expectativas e confirmam as previsões dos analistas». Para o ex-secretário de Estado do Trabalho de Durão Barroso, as taxas «vão continuar a aumentar», isto porque «o ritmo do crescimento económico do país ainda é inferior ao ponto a partir do qual permite que o número (de pessoas sem emprego) comece a baixar».

Para o Bloco de Esquerda (BE), por sua vez, «é preciso ter em conta a forma como o INE chega a esses números, através de inquérito por amostragem», fórmula que, segundo os bloquistas, acaba por esconder a realidade. Pedro Soares, membro da Comissão Política do BE refere que o INE «deixa de fora (das estatísticas do desemprego) as pessoas que  apenas trabalham algumas horas, dois ou três dias durante um mês». Pelo que, o BE considera que o número de desempregados deva ser muito superior.

«Além disso, conforme divulgou recentemente o Instituto do Emprego e Formação Profissional, o número de licenciados desempregados continua a aumentar, factor que vem confirmar o problema estrutural da nossa economia», afirma. Segundo Pedro Soares, «o BE vê com enorme preocupação o aumento do desemprego, tendo programado para a primeira quinzena de Setembro um conjunto de iniciativas para chamar a atenção para o problema, sobretudo em distritos tão massacrados como Braga, Aveiro e Leiria».

Para o dirigente da comissão executiva CGTP, Ernesto Cartaxo, os dados divulgados pelo INE contrariam «algum discurso optimista por parte do Governo acerca da retoma económica». Ou seja, para esta central sindical, o desemprego continua a aumentar, embora a um menor ritmo, e as políticas económicas seguidas pelo Governo «não são o caminho para inverter esta tendência». 

Ernesto Cartaxo também desvaloriza  a diminuição trimestral do desemprego, afirmando que o fenómeno se deve ao incremento das actividades sazonais como turismo e a restauração, habituais nesta época do ano.