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Deputado que retirou gravadores a jornalistas aceita ir a tribunal

O deputado socialista que retirou os gravadores a dois jornalistas da Revista Sábado aceita que lhe seja levantada a imunidade parlamentar para responder no DIAP.

O líder parlamentar do PS disse hoje que o deputado socialista Ricardo Rodrigues está disposto a aceitar o levantamento da imunidade parlamentar para depor no âmbito da queixa apresentada pelos jornalistas da revista sábado no Departamento de Investigação e Ação Penal.

"O deputado já me manifestou a vontade que quando o assunto for colocado na comissão de ética e mais tarde no plenário que quer que se proceda de imediato ao levantamento da sua imunidade parlamentar", disse Francisco Assis, adiantando desconhecer se o pedido já deu entrada no Parlamento.

A revista Sábado apresentou queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa por furto e atentado à liberdade de imprensa, estando a sua audição pelo Ministério Público dependente do levantamento da imunidade parlamentar.

A audição do deputado Ricardo Rodrigues pelo Ministério Público está dependente do levantamento da imunidade parlamentar.

Francisco Assis falava aos jornalistas no final da audiência com o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, órgão que solicitou encontros com todos os grupos parlamentares na sequência do caso do deputado socialista Ricardo Rodrigues, filmado a apropriar-se de dois gravadores a jornalistas da revista Sábado.

"Ficou claro que foi um acontecimento irrepetível e que não resulta de nenhum padrão de conduta do deputado em causa nem de um comportamento típico na Assembleia da República", disse adiantando que tratou-se de um ato irrefletido.

"O acontecimento é lamentável mas é necessário enquadrá-lo", adiantou frisando que se tratou apenas de um episódio.

O pedido de audiências aos partidos políticos com assento parlamentar surgiu depois de as comissões de Ética e de Assuntos Constitucionais não terem dado resposta a um requerimento do Conselho Deontológico, alegando não terem competência para apreciar a questão.

As comissões tinham sido instadas a pronunciarem-se sobre a violação dos direitos e liberdades dos jornalistas.

A 29 de maio o Conselho Deontológico decidiu pedir audiências aos partidos políticos com assento parlamentar para "expressar a sua frontal oposição a quaisquer atos que configurem restrições à liberdade de comunicação".

No final da audiência com o PS, o presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas disse que os deputados socialistas que os receberam, Francisco Assis e Inês Medeiros, referiram que o ato do deputado Ricardo Rodrigues "era censurável e um acontecimento irrepetível".

No encontro, adiantou Orlando César, os deputados socialistas referiram que tencionam organizar um debate sobre a independência dos jornalistas admitindo que existem ameaças a essa independência através da precariedade laboral, por exemplo.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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