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Atualidade / Arquivo

Dentro do mercado jovem também há discriminação

As minorias étnicas e as mulheres têm mais dificuldade em encontrar emprego. Em alguns países ter um grau académico elevado pode ser um estorvo.

O estudo "Tendências Mundiais de Emprego Juvenil", da OIT, revela que mesmo dentro do próprio mercado de trabalho jovem também existem desigualdades. Os jovens, como grupo, “não são homogéneos”. Existem subgrupos que, além da baixa idade, “têm ainda outras desvantagens que lhes dificultam encontrar um trabalho decente”.

Segundo a análise da OIT, a primeira grande desigualdade de oportunidades tem a ver com os sexos: as jovens têm mais dificuldade em arranjar emprego do que os homens. “Nos países onde o desemprego feminino é menor que o dos homens jovens, isto apenas significa que as mulheres nem sequer tentam procurar emprego, desistindo do mercado do trabalho totalmente desmoralizadas”. Quando as jovens conseguem uma oportunidade geralmente recebem salários abaixo da média e em “empregos desprotegidos”.

Mesmo na classe juvenil a idade também constitui um problema. Os mais jovens, entre os 15 e os 19 anos – consequentemente com menos experiência e menor nível académico – têm mais dificuldade em arranjar trabalho, o que posteriormente lhes dificulta atingirem a experiência exigida pelas entidades empregadoras.

Educação versus discriminação

“Dependendo das condições económicas do país, o grau académico pode ser tanto uma bênção como um estorvo”, lê-se no estudo da OIT. Nos países da OCDE o desemprego é maior entre os jovens com menor nível académico. Nos entanto, nos países em desenvolvimento a realidade é diferente. A oferta de jovens com educação superior supera o número de trabalhos disponíveis. Como consequência, os jovens acabam por abandonar os seus países, resultando numa fuga de cérebros. Esta realidade é mais comum no Médio Oriente e no Norte de África.

Dentro do mercado de trabalho juvenil também há desigualdades em relação às minorias étnicas. Embora estes grupos tenham muitas vezes o mesmo grau de ensino que os outros jovens, as entidades empregadoras fazem discriminação.

De acordo com a OIT, a capacidade monetária da própria família tem alguma influência no emprego jovem: “Quanto mais pobres são os pais, mais probabilidades os filhos têm de ser desempregados”.