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"Demiti-me por dificuldades internas do PSD"

É a primeira vez que dá a cara para falar do PSD. António Sampaio e Mello diz que abandonou o Gabinete de Estudos do partido por "falta de condições para um trabalho eficaz".

"As dificuldades internas do PSD interferiram na capacidade do Gabinete de Estudos ter eficácia, dinâmica de trabalho, estratégia de planeamento, recursos e influência", afirmou António Sampaio e Mello ao Expresso, desmentindo que a sua demissão de director do Gabinete tenha que ver com qualquer convite para regressar em pleno aos Estados Unidos.

"Não tive nenhum convite para regressar aos EUA nem vai haver nenhuma alteração na minha vida", esclarece o catedrático em Finanças, contrariando a justificação avançada pelo gabinete de Manuela Ferreira Leite na quarta-feira, quando se soube que Sampaio e Mello tinha decidido abandonar a direcção da equipa que há-de preparar o programa eleitoral do PSD para as legislativas.

Sampaio e Mello manteve-se em rigoroso silêncio desde que aceitou o convite da líder social-democrata em Julho passado, e nunca aceitou falar com jornalistas. Mas decidiu dar a cara para corrigir a tese segundo a qual iria abandonar o barco por razões profissionais. Diz que, pelo contrário, prescindiu "de um convite de um banco em Londres" para dirigir o Gabinete de Estudos do PSD, tarefa a que dedicava "20 horas por semana - estava em Londres a dar aulas na universidade de segunda a quinta, mas dedicava a sexta e parte do sábado ao partido", esclareceu ao Expresso.

"Tenho muita pena de deixar este trabalho a meio e fui fazendo diligências para ultrapassar alguns problemas mas não fácil transformar culturas e instituições", argumenta o professor, que tem no currículo uma colaboração com a equipa que preparou propostas económicas para a campanha presidencial de Barak Obama nos EUA e que reconhece haver em Portugal uma cultura muito diferente.

Afirmando "ter um enorme apreço pela honestidade da drª Manuela Ferreira Leite", António Sampaio e Mello diz que é "fundamental a oposição em Portugal conseguir, de forma fundamentada, desenvolver um trabalho alternativo" ao do Governo. Mas reconhece que, apesar de ter trabalhado "com pessoas fantásticas" encontrou pela frente, no PSD, "dificuldades" que tornaram impossível o trabalho "de exigência" que se propunha fazer.