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Atualidade / Arquivo

Defesa pede absolvição exemplar

Os advogados de defesa declinam responsabilidades dos seus clientes num julgamento que, dizem, ter todos os condimentos para ser passional.

"Absolvição exemplar" é o cenário pedido pelos advogados de defesa dos arguidos do caso da ponte de Entre-os-Rios durante as alegações finais que decorreram esta tarde em Castelo de Paiva. Nuno Godinho de Matos e Rui Patrício, advogados de dois ex-engenheiros da Junta Autónoma de Estradas (JAE), consideraram o julgamento "teatral" e "patético" por ter sentado no banco dos réus seis homens que "imaginamos de netos ao colo e não a mandar pontes abaixo". Rui Patrício afirmou ainda que os arguidos "foram os únicos que tentaram fazer alguma coisa pela ponte", declinando quaisquer responsabilidades no colapso dos pilares.

Nuno Godinho ironizou que o julgamento do caso da ponte de Entre-os-Rios serviria de argumento para um filme de Fellini e que os arguidos não passavam de "bodes expiatórios" nos quais a sociedade queria "lavar as suas mãos". "Se os condenarem fazem o papel dos leões do circo de Roma. Disso não tenham dúvidas", disse, dirigindo-se ao colectivo de juízas presidido por Teresa Silva. "Não se podem dar ao luxo de condenar estas seis pessoas e não denunciar o crime dos responsáveis por não fazer construções anti-sísmicas em Lisboa. É que esse vai acontecer de certeza, só não se sabe quando", acrescentou o advogado Nuno Godinho de Matos.

Patrício e Godinho não enjeitaram responsabilidades institucionais da JAE mas recusaram a responsabilização individual. "Aqui trata-se de julgar um homem no tempo e no espaço. Devia-se ter pedido aos peritos que se colocassem no tempo em que os técnicos trabalharam na JAE e não pedir pareceres com base nos conhecimentos actuais. Hoje é fácil perceber o que estava mal", afirmou Rui Patrício, lembrando que o seu cliente saiu da Junta oito anos antes da queda da ponte. Nuno Godinho acusou ainda o Estado de "má-fé" em relação ao pedido de indemnização aos arguidos: "quando as atribuiu assumiu a sua responsabilidade".

Os quatro advogados de defesa que fizeram as alegações finais esta tarde reiteraram a ausência de regras técnicas e elementares que obrigassem os arguidos a agir de modo diferente.

Durante a manhã, nas alegações finais da acusação, o Procurador Monteiro de Penas e João Nabais, advogado de defesa das famílias das vítimas, admitiram que a idade dos arguidos e o facto destes serem "pessoas de bem" que "cometeram erros em determinadas etapas das suas vidas" poderão servir de atenuantes, não recusando a hipótese de uma amnistia dos crimes, embora tenha pedido a condenação dos réus.

Dia 20 de Setembro ouvir-se-ão as duas restantes alegações finais da defesa.