Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Defesa assume falhas no naufrágio da Nazaré

Ministério da Defesa divulgou resultados da investigação ao naufrágio do "Luz do Sameiro". Há falhas graves de coordenação entre equipas de socorro, muita falta de meios e de pessoal.

O pedido de socorro lançado na madrugada do dia 29 de Dezembro pelo "Luz do Sameiro" não podia ser atendido por recurso a ‘lança-cabos, uma manobra terrestre de salvamento de navios em perigo. Mesmo que esta manobra tivesse sido possível, o material disponível era ‘‘obsoleto’’. A alternativa estaria na utilização de meios aéreos mas, como a única aeronave disponível para dar assistência ao Norte do País ‘‘só opera durante o período diurno’’, foi necessário deslocar um helicóptero do Montijo, ‘‘o que se traduz numa resposta demorada’’.

Estas são duas das principais conclusões tiradas pela equipa de investigadores da Inspecção-Geral do Ministério da Defesa, chamada a investigar o naufrágio do pesqueiro ao largo da Nazaré, de que resultou a morte de três pescadores.

O ministro da Defesa mandou instaurar um inquérito logo no dia do acidente. Quase três meses depois tem uma longa lista de falhas para resolver. O Ministério sublinha que ‘‘o relatório não incidiu sobre nenhuma acção em particular’’, mas visa melhorar os ‘‘sistema de busca e salvamento a cargo da Marinha e da Força Aérea’’. No entanto, assume que já foram tomadas decisões.

Generais têm de se entender

Desde logo, o ministro decidiu reactivar a Comissão Consultiva para a Busca e Salvamento, uma entidade que, segundo o relatório é ‘‘um órgão privilegiado’’ de consulta governamental. mas que ‘‘não reúne desde meados de 2004’’. Por outro, faltam directivas dos chefes de Estado Maior no sentido de articular os vários serviços de busca e salvamento dos diferentes ramos das Forças Armadas. Severiano Teixeira exigiu aos generais chefes que tratassem desse assunto.

O rol de falhas detectadas pela inspecção inclui vários aspectos de natureza legislativa e administrativa que, apesar de constarem em leis e articulados nunca passaram do papel. Falta ainda ‘‘agilidade’’ e ‘‘simplificação’’ em muitos processos de decisão. E estabelecem-se algumas prioridades: o controlo dos falsos alertas, é um dos exemplos. Segundo o relatório, ‘‘94,6 por cento das chamadas de socorro’’ recebidas pelas entidades responsáveis são falsas.

O triste resultado dos cortes orçamentais

Outro caso, mais difícil de resolver diz respeito à falta ‘‘de meios humanos das estações salva-vidas’’ que se mantém em funcionamento com ‘‘uma redução de cerca de 50 por cento de efectivos face ao quadro de pessoal aprovado’’. Os cortes orçamentais e a falta de perspectivas de carreira são, neste aspecto, os entraves principais. Os relatores recomendam que se resolva a situação. Como, não adiantam.

Finalmente, os inspectores colocam o dedo na ferida, referindo a cobertura nacional dos casos de emergência por meios aéreos. Em todos os casos analisados, foi sempre usado o mesmo aparelho, estacionado na base aérea do Montijo ‘‘independentemente do local do acidente’’. Apesar de Ovar dispor de aeronaves, ela só ‘‘opera durante o período diurno’’ o que, no caso da Nazaré, se traduziu "numa resposta demorada".