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"Dêem um euro que chega para comprar dois tijolos"

Uma associação portuguesa quer reconstruir um centro de saúde e um jardim de infância peruanos destruídos pelo sismo de Agosto. Mas o dinheiro angariado não chega para arrancar com as obras.

Margarida Mota

Jornalista

600 euros... foi tudo quanto os portugueses desembolsaram para corresponder ao apelo de solidariedade lançado pela Associação Nacional dos Alistados das Formações Sanitárias (ANAFS) para com as vítimas do sismo que atingiu o Peru, a 15 de Agosto último - uma tragédia que matou mais de 500 pessoas e atingiu mais de 35 mil famílias.

"Lamentavelmente, não tivemos um grande sucesso. Estas campanhas só têm sucesso se tiverem muito apoio da comunicação social e, nessa altura, os media estavam preocupados com a Maddie, com o BCP, com o tufão que ameaçava os portugueses em férias nas Caraíbas e com a falta de sol no Verão. Pouca gente estava preocupada com o Peru", afirmou ao Expresso Manuel Velloso, dirigente da ANAFS.

"As pessoas não dão 1000 euros porque não podem, mas também não dão 1 euro porque têm vergonha. Cria-se aqui uma situação de impasse que é preciso alterar. Daí o relançamento desta campanha: Dêem 1 euro que no Peru dá para comprar dois tijolos ou um saco de cimento", continua.

Dois meses após o sismo, e ultrapassada a fase de maior urgência, a campanha 'Operação Peru 2007' continua a apelar à generosidade dos portugueses. As prioridades centram-se agora na reconstrução e reabilitação das zonas devastadas e todo o dinheiro depositado na conta de solidariedade aberta no Montepio (NIB 003603179910000989136) será canalizado, especificamente, para a reabilitação e reconstrução do Centro de Saúde de Córdova e do "Club des Madres" de Huachos. No terreno, a ANAFS conta com o apoio da organização não-governamental internacional OXFAM que vai orientar a reconstrução desses locais. A evolução da campanha da ANAFS pode ser acompanhada em www.anafs.com

Em declarações ao Expresso, a embaixadora do Peru em Portugal afirmou que "a rede de estradas entre Lima e as zonas afectadas já foi recuperada. A fase que se segue prende-se com a reconstrução de 50 mil vivendas e com a recuperação de 40 mil hectares de áreas de cultivo", diz Luzmila Zanabria. A diplomata esclarece ainda que, até ao momento, a ajuda internacional às vítimas desta catástrofe ascende a 15 mil toneladas de bens e 97 milhões de dólares. Portugal contribuiu com cerca de 4000 euros, depositados numa conta aberta pela própria embaixada logo a seguir ao sismo.