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Dammann a meio-tempo em São Carlos

Até ao Verão de 2008, a ópera de Colónia e o São Carlos irão partilhar o mesmo director artístico. Christoph Dammann só deverá mudar-se para Lisboa em Setembro do próximo ano.

O futuro director artístico do Teatro Nacional São Carlos, Christoph Dammann, permanecerá ligado à Ópera de Colónia, na Alemanha, na qualidade de director-geral (Intendant), até ao Verão de 2008.

Christoph Dammann confirmou ao Expresso ter aceite o convite para a direcção artística do São Carlos, em Lisboa, que acumulará, durante mais de um ano, com a direcção dos teatros de ópera de Colónia.

Dammann disse ainda estar “entusiasmado” com as suas novas funções porque “a ópera portuguesa é conhecida como uma das de maior prestígio na Europa e a sua programação orienta-se, em primeira linha, por critérios de qualidade. Trata-se duma ópera do estado e não duma instituição comunal. As condições são muito diferentes das de Colónia”.

Dammann vai mudar-se com a família para Lisboa em Setembro do próximo ano, e quer aprender português o mais depressa possível.

Fritz Schramma, Presidente da Câmara de Colónia (instituição que financia a ópera local), emitiu a propósito um comunicado para a imprensa, lamentando a partida de Dammann e dizendo que ele “sempre foi um director de confiança, cooperante e muito construtivo, conseguindo manter a Ópera de Colónia a funcionar normalmente, apesar das dificuldades financeiras sentidas nos últimos anos. Para a ópera de Colónia é uma honra o facto do seu director ser convidado para Lisboa”.

Christoph Dammann nasceu em Lübeck (Norte da Alemanha) em 1964 e viveu alguns anos na Libéria. Estudou música e canto, trabalhou na sua cidade natal (inclusive como solista) e depois no Estado do Mecklenburg (no leste do país). Em Colónia esforçou-se por apresentar, a par do reportório clássico, obras contemporâneas, o que lhe valeu algumas críticas. Apesar disso, conseguiu aumentar o número de espectadores, sobretudo na presente temporada, em que 80% dos bilhetes estão já vendidos.

Nos últimos tempos, as críticas ao seu trabalho subiram de tom. O vereador da Cultura na câmara de Colónia, Georg Quander, (que foi também Intendant da Staats Ópera de Berlim) criticou Dammann afirmando que ele cometeu erros na escolha dos encenadores e do reportório. No entanto, o Burgomestre Schramma distanciou-se do seu vereador, defendendo a renovação do contrato de Dammann.

Sobre o passado recente, Dammann lança um manto de silêncio, limitando-se a dizer, diplomaticamente, que considera muito positivos os anos que trabalhou em Colónia e que esta ópera continua a ser uma casa com grande prestígio na Alemanha e na Europa.