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Cursos sem nome

A nova era do Ensino Superior vai ser marcada pela necessidade de escolha de uma licenciatura não pelo título que lhe é atribuído mas pela competências que ele pode facultar a quem o completar.

A perspectiva dos estudantes europeus face ao Processo de Bolonha é muito mais clara do que a defendida pelos seus professores. Os alunos esperam que a reforma do Ensino Superior seja capaz de lhes oferecer competências adequadas e qualificações altas para se adaptarem ao mercado de trabalho que os espera.

"Antigamente tínhamos licenciaturas muito longas, que correspondiam a métodos de ensino muito difusos. Por isso perdíamos muitos alunos a meio do caminho. A Europa está cheia de trabalhadores com dois ou três anos de frequência universitária que não lhes serve para nada perante as exigências actuais do mercado de trabalho", afirma ao Expresso Bruno Carapinha, membro do Comité do Processo de Bolonha enquanto representante das associações de estudantes europeias.

Segundo Carapinha, no entanto, é preciso que Bolonha foque a sua atenção nos objectivos fundamentais das qualificações e o caminho a seguir é claro para ele: "Depois de 2010, cada aluno deve poder escolher o curso que quer frequentar não pelo nome que lhe foi atribuído, mas sim pela descrição das competências que ele lhe vai oferecer".

O que representa uma mudança "traumática", no entender dos estudantes, para as universidades que não estão preparadas para pensar dessa forma.

"As dores de parto dos académicos estão a vir ao de cima", diz Bruno Carapinha. "Os professores universitários estão ainda habituados a um sistema de ensino baseado na transmissão de conhecimento a partir da sua própria investigação e não querem deixar de olhar para o seu umbigo e passar a olhar para as necessidades, condições, atributos e níveis de conhecimento dos alunos!", critica, defendendo, por outro lado, a urgência em que seja o estudante a construir o seu caminho. "Não custa muito dar capacidades a cada indivíduo para se autonomizar", continua.