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Críticos culpam Ribeiro e Castro por marginalização do CDS

Perdida a batalha do pacto para a Justiça, os críticos de Ribeiro e Castro contra-atacam: "É inevitável que o partido reflicta sobre o seu futuro."

O pacto assinado entre o PS e o PSD entornou o caldo no CDS: o facto de terem ficado de fora num entendimento alargado sobre a Justiça, área que os centristas tutelavam no Governo de coligação de Durão Barroso, é visto pelos críticos de Ribeiro e Castro como o sinal da perda de influência do partido. "CDS tem tido uma agenda só virada para temas internos e corre risco de, no plano externo, se distrair do que é importante e tender para ser considerado um partido mais ou menos irrelevante na grande discussão de temas nacionais", considera António Pires de Lima em declarações ao EXPRESSO.

O ainda deputado considera que o CDS "só está virado para o umbigo", pelo que apela a Ribeiro e Castro para que se "questione sobre o seu próprio papel enquanto líder do CDS, mais do que procurar bodes expiatórios sobre o que não corre bem ao partido".

Almoço errado

Também Telmo Correia diz não compreender a marginalização do CDS e atribui culpas ao presidente centrista. "Como membro do CDS, fica-me a pergunta: o que é que ao longo do processo andou a fazer o presidente do partido?", questionou, em declarações à Lusa. O deputado, que foi derrotado por Ribeiro e Castro no congresso de 2005, lembra o almoço do presidente centrista com Manuel Monteiro, no mês passado, e ironiza: "Pelos vistos, era o almoço errado. Os almoços que contavam estavam a realizar-se entre José Sócrates e Marques Mendes." Telmo Correia sublinha ainda que "a credibilidade do CDS enquanto partido do Governo deu muito trabalho a construir" e avisa que "não se pode hipotecar essa credibilidade".

João Rebelo, outro crítico da actual direcção, alinha pelo mesmo tom: "Há neste caso duas coisas que são muito graves: por um lado, a total surpresa com que o presidente do partido foi apanhado por esta situação. Por outro lado, a completa falta de percepção que Ribeiro e Castro tem da gravidade deste assunto. O CDS foi deixado de lado num assunto fundamental e todo esforço que tivemos nos últimos 7 ou 8 anos para nos afirmarmos no arco de governabilidade foi deitado para o lixo com este processo." Para o deputado, são as prioridades de Ribeiro e Castro que estão trocadas. "Em vez de falar de estados gerais da direita, devida falar em estado de sítio da direita."

Tréguas até ao referendo

Estas críticas, vindas de personalidades conotadas com Paulo Portas, vêm agravar o mal-estar no CDS e reavivam a questão da continuidade de Ribeiro e Castro na liderança. "As pessoas devem reflectir seriamente o que fazer sobre o futuro do partido", considera Rebelo, sem apontar «imings» Pires de Lima é mais concreto: considera que a questão da liderança só deve ser reaberta depois do referendo ao aborto, que deverá realizar-se no início do próximo ano.

"Seria despropositado levantar novos debates internos neste momento em que partido precisa de aparecer como a única força que tem posição clara contra a despenalização do aborto. O CDS deve concentrar-se nessa batalha que tem a ver com valores profundos do partido", diz o antigo vice-presidente de Paulo Portas. Mas deixa o aviso: "É inevitável que depois dessa batalha o partido reflicta sobre o seu futuro."