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Crimes imperfeitos

O EXPRESSO esteve no local onde ex-cabo da GNR, presumível 'serial killer' de Santa Comba Dão, terá assassinado duas raparigas. A família vive em reclusão. A vila está traumatizada.

Em Cabecinha de Rei, a família do ex-cabo da GNR esconde-se do assédio dos jornalistas que invadiram a pequena povoação, colada a Santa Comba Dão, na última semana. Só saem à rua para regar as couves e hortaliças do quintal da vivenda de dois andares.

O EXPRESSO conseguiu falar com um dos filhos do presumível homicida, actualmente em prisão preventiva: «Estão a escrever muitas mentiras sobre o meu pai», comenta evasivamente André Costa. «Mas um dia há-de ser feita justiça». Entre os investigadores da Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra existe a sensação de que a estratégia da defesa, conduzida pela advogada Isabel Menezes, será a de tentar que António Costa seja considerado inimputável. «Ele é um psicopata mas teve sempre a noção dos crimes que cometia», declara uma fonte policial. A causídica prefere não comentar: «O caso está em segredo de justiça», justifica.

Cristina Soeiro, psicóloga da PJ, tem acompanhado o caso desde que se iniciaram as investigações no terreno, após o desaparecimento de Joana, a terceira vítima, a 8 de Maio. «Os homicidas em série têm uma máscara de sanidade. É natural, por isso, que estejam todos surpreendidos com a detenção do ex-GNR, pessoa considerada exemplar». A psicóloga acredita que o primeiro crime, cometido na Figueira da Foz em 2005, terá sido «apenas uma experiência não premeditada». Depois, «as coisas devem ter-se descontrolado». Cristina Soeiro prefere no entanto, não apontar razões externas para explicar os três crimes de António Costa: «Ele perdeu domínio quando se reformou».