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Criador do WikiLeaks dececionado com EUA (vídeo)

Julian Assange, criador do site WikiLeaks, que, no domingo, divulgou mais de 90 mil documentos sobre a guerra no Afeganistão, declarou-se dececionado com as críticas do governo dos EUA(Veja vídeo YouTube)

Julian Assange, criador do site WikiLeaks, que, no domingo, divulgou mais de 90 mil documentos sobre a guerra no Afeganistão, declarou-se dececionado com as críticas do governo dos EUA. 

Em comunicado difundido por vídeo através da cadeia televisiva CNN, Julian Assange mostrou-se particularmente crítico com o ministro da Defesa, Robert Gates, a quem acusou de ter "estado por trás da morte de milhares de crianças e adultos" no Afeganistão e no Iraque. 

Depois da divulgação dos documentos, Robert Gates "poderia ter usado todo este tempo, como fizeram outros países, para anunciar a abertura de uma investigação sobre as mortes" denunciadas nos documentos divulgados, afirmou o criador do site WikiLeaks. 

"Decidiu tratar estes assuntos e os países afetados com desprezo"

"Poderia ter anunciado uma comissão para ouvir as opiniões contrárias dos soldados norte-americanos, que vivem a guerra no terreno. Poderia ter-se desculpado junto do povo afegão. Mas não fez nada disto... decidiu tratar estes assuntos e os países afetados com desprezo", afirmou, um reputado hacker enquanto jovem. 

Julian Assange respondeu assim às declarações de governantes norte-americanos que criticaram a divulgação dos documentos, alegando que apenas conseguiu pôr em perigo as vidas dos soldados norte-americanos e do pessoal afegão e minar a confiança dos aliados. 

Julian Assange com "mãos manchadas de sangue"

O chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, o almirante Mike Mullen, garantiu na quarta feira que Julian Assange poderia "ter as mãos manchadas de sangue" de soldados norte-americanos e de pessoal afegão. 

Gates declarou: "As consequências no campo de batalha destes documentos são potencialmente graves e perigosas para as nossas tropas, os nossos aliados e parceiros afegãos, e poderão prejudicar as nossas relações e reputação nesta zona chave do mundo." 

EUA querem saber quem forneceu documentos

O Ministério da Defesa dos EUA abriu uma investigação, na qual também participa o serviço federal de investigações (FBI), para identificar a pessoa que forneceu os documentos a Julian Assange. 

O principal suspeito é o analista de informação do Exército Bradley Manning, de 22 anos, que já se encontrava detido numa base militar no Koweit, depois de outra fuga de informação, em maio, e que foi transferido para outra prisão, na Virgínia. 

O WikiLeaks publicou documentos cujas denúncias vão de mortes de civis não divulgadas até à possível colaboração dos serviços secretos do Paquistão com os talibãs, sob o título "Diário da Guerra no Afeganistão", e que abarcam o período de janeiro de 2004 até 2010.