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Costa diz que "é necessária nova travessia do Tejo"

O presidente da Câmara de Lisboa dá corpo às preocupações das autarquias metropolitanas. Admite uma "revisão do calendário", mas exige ao Governo uma "audiência urgente", para "desfazer equívocos".

Paulo Paixão (www.expresso.pt)

"Há um equívoco que é preciso desfazer: a terceira travessia do Tejo não é um projecto autónomo em relação ao TGV ou ao novo aeroporto; a ligação ferroviária através da nova ponte é uma condição essencial tanto para o novo aeroporto como para o TGV", afirmou ao Expresso o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

Horas antes, na manhã de segunda-feira, a Junta Metropolitana de Lisboa solicitou ao Governo uma "audiência urgente" para discutir a terceira travessia do Tejo. O pedido surgiu na sequência do recuo do Executivo em relação à nova ponte (e também ao aeroporto de Alcochete).

"É necessário esclarecer o que está em causa com o adiamento", afirma Costa. "Compreendemos que a actual situação financeira possa implicar uma revisão do calendário. Mas não é concebível que por razões conjunturais se comprometa uma estratégia pensada e estruturada", acrescenta.

A posição dos autarcas da área metropolitana foi manifestada durante uma reunião em que deveriam apreciar a proposta final do respectivo plano regional de ordenamento do território (PROTAML). Um documento que é em grande parte dimensionado pela existência da terceira travessia e do aeroporto. "Como se vai discutir o PROTAML sem esses dados?", questiona Costa.

Costa destaca relatório do LNEC

Com o congelamento da ponte, por onde passará o TGV, e perante a assinatura, no passado sábado, do contrato para o troço Poceirão-Caia, que fará a ligação a Espanha, o autarca afirma: "Não há um TGV Poceirão-Madrid; ou há um TGV Lisboa-Madrid, ou não há TGV. Por isso, é necessária nova travessia do Tejo".

Costa lembra que a obrigatoriedade da nova ponte foi diagnosticada pelo LNEC, no relatório em que defende o aeroporto em Alcochete.

Um ponto em que o autarca não faz finca-pé é a questão dos modos ferroviário e rodoviário na ponte. "Nunca reivindiquei a ligação rodoviária. Mas também nunca me opus a ela. Por solidariedade metropolitana compreendo a posição de outros autarcas que a querem", afirma António Costa.

Insistindo sempre na necessidade do TGV chegar à capital (o que passa sempre por uma nova ponte), Costa considera "sem sentido" algumas hipóteses alternativas entretanto atiradas para a discussão. É o caso de um tabuleiro ferroviário na ponte Vasco da Gama ou ligações suburbanas até ao Pinhal Novo, que depois chegariam ao Poceirão.