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Conheça os cinco candidatos

O México elege este fim-de-semana o seu novo Presidente. Andrés Obrador, Felipe Calderón e Roberto Madrazo são os principais candidatos à sucessão de Vicente Fox.

Contrariamente ao carácter tecnocrata do seu principal rival, Andrés Manuel López Obrador, 52 anos, é eminentemente um líder popular. Tal ficou bem demonstrado, há dois anos, quando milhares de manifestantes saíram às ruas da Cidade do México para o apoiar, contra uma acusação de venda ilegal de terrenos. Ilibado pela população, e mais tarde pelo Ministério Público, acabaria por deixar a liderança da autarquia da capital, cargo que ocupava desde 2000, para se dedicar em exclusivo à candidatura presidencial.

«O próximo Presidente do México não será um boneco dos estrangeiros», bradou no segundo debate televisivo, numa alusão à suposta instrumentalização do presidente cessante Vicente Fox, por parte do todo-poderoso vizinho norte-americano. Por isso, garante que renegociará os princípios da NAFTA, e que discutirá com Washington a questão da emigração para os EUA, tudo «numa plataforma de maior exigência». Líder do Partido da Revolução Democrática, formação de esquerda criada em 1989, a partir de uma cisão no Partido Revolucionário Institucional (PRI), recorda, amiúde, as suas origens humildes.

A biografia de Lopes Obrador, filho de um casal de comerciantes radicados no Estado de Tabasco, assemelha-se muito à dos líderes das esquerdas latino-americanas, que, paulatinamente, têm assumido o poder — da Argentina à Venezuela, do Brasil à Bolívia. Assim, tal como Luís Inácio Lula da Silva, Obrador é um resistente político e à semelhança de Néstor Kichner, transformou-se num político experiente. Com Evo Morales partilha o activismo de rua. São célebres as suas fotos em confrontos com polícia no estado natal de Tabasco. A imagem de um lutador ensanguentado ainda hoje granjeia-lhe capital político. Licenciado em Ciências Políticas, foi até 1988 membro do PRI.

Felipe de Jesus Calderón Hinojosa

Educado na mui prestigiada Universidade norte-americana de Harvard, Felipe Calderón, 44 anos, é o candidato da direita, encabeçando a lista do Partido de Acção Nacional (PAN). Apoiado pelo empresariado, promete continuar com as políticas económicas de Vicente Fox, abertas ao livre comércio com os parceiros do norte — Canadá e Estados Unidos.

Contrariamente a Obrador, não hostiliza Washington, confessando mesmo que o investimento norte-americano no território é fulcral para fixar mão-de-obra e com isso estancar a emigração. Quanto a este último ponto, promete negociar com a Casa Branca uma nova autorização de estadia para mexicanos que vivam há mais de três anos nos EUA. Político de carreira, foi líder do PAN entre 1996 e 1999 — Partido fundado pelo seu pai, Luis Calderón Vega, em 1939. Ocupou, durante a anterior presidência, a chefia do Banco Nacional de Desenvolvimento, Banobras, tendo sido ministro da Energia entre 2002 e 2004.

Enquanto membro do Governo foi acusado de favorecer a empresa de um cunhado, atribuindo-lhe contractos de construção. Destacou-se pela campanha negativa que conduziu contra Obrador, ligando-o à figura de Hugo Chavez, o polémico presidente Venezuelano. «Obrador é um perigo para o México», ouviu-se durante uns tempos na rádio e televisão. Tal ousadia saiu-lhe cara. O eleitorado reagiu mal e penalizou-o nas sondagens. O Instituto Eleitoral Federal baniu o spot em causa. Calderon queixou-se de «censura».

 

Roberto Madrazo Pintado

O Partido Revolucionário Institucional dominou a cena política mexicana durante 71 anos, até que nas eleições de 2000 Vicente Fox e o PAN conquistaram-lhe o poder. Ressurge seis anos depois, liderado por Roberto Madrazo, um advogado de 51 anos, que entrou nas fileiras do partido era ainda um adolescente. Antigo senador, deputado e Governador do Estado de Tabasco, assumiu a liderança do PRI em 2002, ano de dissidências e divergências, recuperando a unidade do partido, dilacerado pela derrota dois anos antes.

Concorre coligado ao Partido Ecologista Mexicano, uma ligação que lhe marcou o programa eleitoral. Gastou muito do seu tempo de antena falando sobre os recursos hídricos, questão que tem provocado alguma fricção com o vizinho norte-americano. Nove milhões de empregos é a sua proposta para estancar a emigração massiva. Os adversários acusam-no de ter processos pendentes nas finanças relacionados com fuga ao fisco.

 

Dora Patricia Mercado Castro

À imagem de Roberto Campa, Patricia Mercado tem, segundo as sondagens, uma escassa percentagem de votantes - cerca de 3%. Reconhecida feminista, é fundadora e Presidente da Alternativa Social Democrata e Camponesa, Partido que fundou recentemente com Ignacio Irys, e que deriva do Partido da Social Democracia (que nas presidenciais de 2000 recolhera apenas 20 mil votos). Embora tenha sido candidata pelo Partido Trabalhista à Câmara dos Deputados, há 15 anos, notabilizou-se quando em 2003 fundou o movimento México Possível, partido que, depois de falhar o registo eleitoral, acabou naturalmente por se extinguir. Durante esta campanha, esforçou-se por discutir a legalização do aborto, chegando mesmo a pôr acções em tribunal contra padres católicos que, alegadamente, terão distribuído panfletos contra a sua candidatura.

 

Roberto Rafael Campa Cifrian

Eleito membro da Câmara de Deputados em 1994 e novamente em 2003, Roberto Campa, 49 anos, é um antigo membro do Partido Revolucionário Institucional, do qual saiu em 2005, após 28 anos de militância, para formar a Nova Aliança, Movimento formado, maioritariamente, por ex-elementos do PRI e do Sindicato Nacional de Trabalhadores de Educação. Natural da Cidade do México, 49 anos, destacou-se entre 1997 e 1999 como Procurador Federal do Consumidor. Apontado como um neoliberal e um anti-Madrazo (candidato do PRI à presidência), aliou-se a uma outra destacada dissidente do PRI, Elba Esther Gordillo. Algumas das últimas sondagens publicadas dão-lhe pouco mais de 1%.