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Congressista americano defende bombardeamento de Meca e Medina

Um remoto candidato republicano à presidência dos EUA disse que bombardear as cidades sagradas do islão é a medida mais dissuasora que consegue encontrar para impedir futuros ataques terroristas em território americano. Mas está aberto a outras ideias.

Tom Tancredo, congressista americano, republicano e conservador não deixou margens para dúvidas quando esta semana defendeu que a melhor forma de impedir ataques de extremistas muçulmanos aos EUA é ameaçar bombardear os mais importantes locais da fé islâmica.

“Mostraremos que um ataque terrorista à nossa nação vai ser seguido de um ataque aos locais sagrados de Meca e Medina”, defendeu o congressista perante uma audiência de 30 pessoas. Segundo Tancredo “esta é a única coisa que me consigo lembrar para que se possa deter alguém de fazer o que de outra maneira fará”.

Segundo o enérgico congressista estará iminente um ataque à pátria de Thomas Edison e nesta guerra sem quartel vale de tudo para defender solo pátrio, até porque mais um ataque como o 11 de Setembro causará o “colapso económico a nível mundial”, explicou Tancredo que abriu uma janela para alternativas mais pacíficas: “Se eu estiver errado, digam-me que ficarei feliz por fazer outra coisa qualquer. Mas é melhor arranjarem uma defesa, ou encontrarão um ataque”, vaticinou o norte-americano.

As reacções não se fizeram esperar e uma associação islâmica de direitos civis, sediada em Washington, já apelidou as afirmações do congressista de “não serem dignas de alguém que procura uma posição na administração pública americana”.

A ideia dissuasiva de bombardear Meca e Medina, os dois locais de maior importância para a religião islâmica e onde todos os muçulmanos devem ir pelo menos uma vez na vida, despertou a indignação na comunidade árabe que apontaram Tancredo como um extremista “que sendo um remoto candidato presidencial está a querer criar alguma controvérsia para atrair um pequeno eleitorado anti-islão”.

Casa Branca cada vez mais longe

Uma ideia que já não é propriamente nova, pois o político já a havia sugerido há dois anos, quando previu um “ataque nuclear” ao seu país.

Do lado do Estado americano as originais ideias de Tancredo também não receberam elogios. Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado, apelidou os comentários do congressista de “repreensíveis e absolutamente loucos”.

À falta de aliados nesta demanda solitária resta a Tancredo manter a sua posição, que foi reforçada num comunicado feito pelo seu porta-voz: “Só assim mostraremos que estamos a falar a sério”, disse.

Enquanto tudo não passa de conversa o congressista que sonha ocupar a Sala Oval da Casa Branca vai defendendo outras das suas prioridades como o direito à vida, as reformas da imigração ou a defesa das muito acarinhadas leis pró armamento, que permitem aos americanos adquirirem armas quase sem restrições.

Embora seja uma velha raposa do Congresso norte-americano, para Tom Tancredo é quase tão provável chegar à presidência dos EUA como ver Meca e Medina debaixo de fogo.

As sondagens e os analistas políticos colocam-no no fim das preferências republicanas, com apenas um por cento dos votos.