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Clonagem de cartões com leitores de mp3

SIBS e PJ garantem que o método nunca foi usado em Portugal.

Os métodos usados para a clonagem de cartões Multibanco estão cada vez mais sofisticados. Em Inglaterra foi desmantelado um grupo de burlões que usava uma “ferramenta” inovadora: um simples leitor de mp3.

Segundo o jornal britânico "The Times", o método interceptado é uma cópia de uma estratégia utilizada anteriormente na Malásia para corromper sistemas bancários. O processo, posto em prática sempre em caixas Multibanco Automáticas (ATM), era simples e rápido: os burlões ligavam um pequeno leitor de mp3 à linha telefónica por onde a ATM emitia o sinal. A informação transmitida pela caixa durante a operação, cujos sons são muito similares aos de um fax, ficava assim gravada no leitor, sendo posteriormente descodificada em formato de sequências numéricas. Para tal, era usado um «software» ilegal de origem ucraniana.

Passadas estas etapas, os burlões ficavam com acesso a todas as informações de segurança do cartão, incluindo o código pin. A etapa seguinte não é novidade: cartão clonado e dinheiro a desaparecer das contas dos clientes.

Clonagem em Portugal

A Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) garantiu ao EXPRESSO já ter conhecimento do método, embora “até à data não se tenha verificado nenhuma tentativa deste tipo de ataque à rede nacional”. No entanto, seria “difícil” usar esta estratégia em Portugal, uma vez que os dados de uma operação realizada numa ATM “são transmitidos sob um protocolo de encriptação que torna a sua intercepção e descodificação altamente dificultada”.

A Polícia Judiciária prefere “não fazer comentários sobre este modus operandis”, mas ressalva que a rede Multibanco portuguesa é “bem mais segura que a inglesa”. Os índices deste tipo de fraudes, também estão actualmente “controlados”, sendo “muito inferiores aos registados em Agosto”.

No entanto, como o “fenómeno é cíclico”, a PJ e a SIBS mantêm uma cooperação intensa na detecção destas fraudes. Com a chegada da época natalícia, um período “crítico”, a atenção de ambos vai ser “redobrada”.

Desde o início da onda de clonagem, em Abril, foram afectados mais de 1.500 cartões nacionais com transacções bancárias fraudulentas. A situação estabilizou no fim do Verão.

CONSELHOS DA SIBS

1. Verifique que o terminal está em perfeitas condições e não apresenta quaisquer indícios de ter sido vandalizado, alterado ou modificado;

2. Verifique que o leitor de cartão apresenta o seu aspecto normal, nomeadamente que a ranhura para inserir o cartão está em bom estado;

3. No momento de marcação do código secreto, deve garantir que o faz nas máximas condições de privacidade, protegendo a sua digitação com a outra mão;

4. Nunca deverá introduzir o código secreto sem que o mesmo seja solicitado no respectivo ecrã e deverá sempre seguir as instruções;

5. Não aceite ajuda de terceiros caso ocorra uma anomalia de funcionamento – por exemplo, o cartão não sai e alguém sugere que volte a marcar o código secreto;

6. Nunca entregue o cartão a terceiros para efectuarem levantamentos, pagamentos ou quaisquer outras transacções por si;

7. Em caso de retenção do cartão pelo terminal, comunique de imediato o facto à entidade emissora do cartão;